Arquivo de agosto, 2006

ZELO POR VOCÊ MESMO

terça-feira, agosto 29th, 2006

 

ZELO POR VOCÊ MESMO

 

 

 

 

 

Das flores que têm perfume cuido com zelo

Como jóias que se guardam a sete chaves.

Conto cada pétala, mesmo as que no solo caem,

Porque com arte e cuidado a obra vale mais.

Comparo-as com namorada: a gente se enciúma,

Não quer que outros olhos a vejam de soslaio.

 

Seus pertences não divide com ninguém.

Quem já teve um grande amor,

Por quem foi apaixonado, sabe.

 

Se nunca se enamorou, cuidado!

Viva, mas tente de alguém se aproximar,

E sinta o coração tremer como um incipiente adolescente ao paquerar;

Tenha com quem falar: conte-lhe, em casa ao chegar

O que lhe aconteceu na rua e no trabalho;

 

A vida não tem sentido, se, sozinho,

Por viver, optar;

Se lhe agrada a solidão,

Um médico é bom presságio!

Somos de sorrir, mas não de chorar.

Cuide bem de você mesmo, vale a pena se lembrar. (Luiz  Viana)

 

 

 

CIGARRA ROUCA

terça-feira, agosto 29th, 2006

 

CIGARRA ROUCA

 

Cantaste até ficar rouca

Que teu prazer em segredo

Banhou-me de desejo o rosto.

 

Não te sufoquei o canto,

Deixei a lira tocar

Meu poemeto de amor!

 

Sou bandoleiro nato,

Não durmo cedo, nem tarde;

Não pasmes,

Que sou faminto de beijo.

Vem, abraça-me!

 

Nutri-me de doces folguedos,

Sem pensar que te perdia

Logo após meu despertar.

Curvei-me para a carícia,

Que não foi correspondida,

Que teu sussurro em pedaços

Me esmaeceu e chorei.

 

Acordado a noite inteira,

Não fiz barulho, acalmei-me.

 

Ontem foi melhor que hoje.

Quem nos deu milhões de dias

Jura que nunca teria

Um adeus entre nós dois! (Luiz Viana).

SER FELIZ SEM UM MÍSERO CENTAVO

terça-feira, agosto 29th, 2006

 

SER FELIZ SEM UM MÍSERO CENTAVO

 

Que linda manhã de sol,

que escuto o bramir do mar;

tenho um verde em minha volta

que me parece um sonho,

e com que comparar não há!…

 

As aves de arribação colorem o céu,

e enfeitam o ar numa algazarra ímpar!

Farra ou trabalho?

Daqui a pouco dormirão no primeiro porto, de cansadas!

Deleita-se com a vida,

a mãe que ao filho acolita, felizes hão de voar.

Caminho por entre escombros,

com vontade de chorar.

Aqui a natureza ensina,

Como devemos amar.

Como são, felizes e decididos,

curvei-me a me escutar,

Já que por onde começar eu sei. 

Quero apenas ser pequeno de egoísmo,

e trabalhar, trabalhar, trabalhar…

 

Senti gemidos de dores,

corri léguas atrás de nada.

Hoje, sim, sei o que faço, aonde vou,

pois antes não sabia onde estava.

Tento ficar de pé, e, voar… voar… voar.

Mas sem pena, sem bico e sem asas, nunca serei uma ave.

 

Houve um homem que viveu feliz a vida inteira,

e só tinha um relógio de algibeira,

um caneco e uma cabra.

Dedicou muito de seu tempo ensinando,

não se cansou, viveu muito e é lembrado.

Outro, ainda mais perfeito,

só dispunha de uma túnica tecida em tear,

e mesmo assim, disputada por algozes,

virou jóia, um troféu inestimável.

 

Descobri que ouço, vejo;

tenho perna, braço;

vou sem muleta a qualquer lugar,

toco em tudo e tenho tato.

Posso, então, agradecer-Te

porque muitos dos felizes,

não têm disso nada.(Luiz  Viana).

 

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