Arquivo de agosto, 2008

UM BOTÃO PARA UMA ROSA

sábado, agosto 23rd, 2008

UM BOTÃO PARA UMA ROSA.

Por

Luiz Alpiano Viana

Acompanhei seus passos suaves, majestosos e delicadamente femininos, desde sua chegada à floricultura. Ela olhava um buquê e alinhava as pétalas carinhosamente, demonstrando profundo conhecimento do assunto. As mulheres sabem, evidentemente, que as rosas foram feitas exclusivamente para elas. Rosa não tem perfume, dizem, mas sentimos vontade de cheirá-las. Eu acho que rosa e flor são a mesma cosia, sempre muito belas, perfumadas e divinas como as mulheres. Foi Deus que as fez assim, como, tudo que existe sobre a terra. Se a rosa é flor das flores, a mulher é a estrela do céu dos homens!

Não me cansava de observar que cada mulher que entrava na floricultura, dela saía com um ar de pureza, olhos brilhantes e lábios umedecidos de sensualidade. Somente elas, e mais ninguém no mundo, têm um jeito todo especial de lidar com as flores. O homem inteligente não se arrisca em contrariar uma mulher no que ela gosta de fazer. Se o fizer, certamente corre o risco de não mais ter sua amizade. Eu mesmo não quero que isso me aconteça. Não, não quero!

No teto do prédio da floricultura viam-se desenhos que não tinham nada a ver com o produto ali comercializado: como fotografias de elefante, jaguatirica, tartaruga, pato selvagem… Bem, acho que aquela sala era usada para outra finalidade, como secretaria de meio ambiente, por exemplo.

De repente nossos olhares se cruzaram! – Por que a mulher, ao perceber que está sendo observada pelo homem, dá uma "arrumadinha" no cabelo? Ela ajeitava os cabelos como se estivesse diante de um espelho. São simplesmente encantadores seus gestos. O homem não perde nenhuma oportunidade de observá-los, mesmo que esteja acompanhado da mais linda criatura do sexo feminino. Para mim tudo que elas fazem tem um pedacinho do céu. Sua feminilidade enlouquece qualquer um, principalmente os que gostam realmente de mulher.

Seu vestido de linho e suas botas de cano longo davam-lhe um toque genuinamente clássico. Eu não tinha costume de vê-la em tão apurados trajes. Minha sensibilidade estava mais para o romantismo. Colhi de um jarro um botão vermelho, e pus-me de espreita e tocaia, esperando o momento exato para lho ofertar.

Um minuto se passava como um século. Ela não sabia que alguém a esperava num canto da floricultura. Não me estava sentindo bem, dado que um só homem no meio de tantas mulheres despertava sua aguçada curiosidade. Elas são muito inteligentes e observadoras natas. Bem dito sóis vós sozinho entre as mulheres… Penso que, pelo menos uma delas no meio de tantas que por ali circulavam, fazia essa oração.

Fiquei sem graça ao perceber que me viam com uma rosa na mão. A diva encantadora por quem tanto eu esperava, rodara todo o salão, e nas mãos trazia um pequeno ornato de rosas amarelas e roxas. E a rosa que eu lhe tinha escolhido era vermelha! Que tristeza! Tentei trocá-la e não deu tempo. Quando ela se aproximou eu lha entreguei. Ela sorriu e corou! Beijou-a tão delicadamente que eu tremia como se me desintegrasse no tempo e no espaço. Senti que suas mãos eram macias e perfumadas e ao tocarem as minhas, também tremeu, mas soube se conter.
 

Disse-me:
– Obrigada, muito obrigada! – pediu-me licença e saiu inteligentemente.

Por que foge de mim, por que se esquiva, pensei. Elas são hábeis fugitivas do que não lhes interessa. Está provado que elas têm um senso criativo inigualável. Por isso as admiro e quero continuar por elas apaixonado. Depois desse dia com ela nunca mais me encontrei. Dela não me esqueci. Só sei que hoje é casada, mãe dedicada, e um ser humano do mais alto nível.

O amor é lindo! Amar pode ser tudo isso que sinto. Só ama quem sabe distinguir os segredos do amor. Pode-se amar tudo nesse mundo, mas para amar de verdade um coração, tem que ter coração!

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IPUEIRAS É ASSIM

sexta-feira, agosto 15th, 2008

IPUEIRAS É ASSIM. 
 
Estive lá, revi velhos amigos e conheci um Calçadão construído pela Prefeitura com os mesmos materiais dos da Avenida Atlântica, no Rio de Janeiro. As mesmas pedrinhas, pretas, brancas e marrons. Para o bom observador, o desenho do calçadão tem a mesma curvatura da Praia de Copacabana.
 
Aproveitei a noite silenciosa e o cochicho dos casais que namoravam nos bancos do passeio e fiz minha caminhada noturna desde o sangradouro do velho açude até o posto de gasolina. O ambiente tem a feição de uma incipiente favela porque os bairros de periferias em qualquer cidade do Brasil não têm infra-estrutura. Esses benefícios só aparecem com o advento de famílias ricas.
 
Os governos municipal, estadual e federal sempre ignoraram os descamisados, os miseráveis, os sem tetos, os sem letras. Esse é o comportamento dos nossos governantes, procedimento comum em qualquer país do mundo. Há algumas casas antigas que nos fazem voltar ao passado de 40 anos. O prédio da cadeia pública é um desses monumentos.
 
Mais ou menos no lugar onde está sendo construída uma igreja, havia uma casa e nela morou o professor Antônio Simões, ex-aluno de Academia Militar das Agulhas Negras – AMAN. Um pouco acima se ergue o Instituto Frota Neto. É uma corporação literária que oferece ao cidadão um espaço apropriado ao exercício do conhecimento e de culturas. Reforça, por conseguinte, o interesse dos jovens pelo saber e pela convivência nos meios literários onde quer que estejam.
 
Avistam-se, em diversos ângulos, modernas moradias recém construídas, um verdadeiro contraste com os casebres do mesmo local. Sem dúvida esse simples morador cederá espaço aos mais aquinhoados e mais uma vez buscará lugar adequado às suas condições financeiras. Formar-se-á entrementes nova periferia e mais uma vez sem infra-estrutura. O próprio homem transforma o meio em que vive e arregimenta responsabilidade do baixo e do alto desenvolvimento. O que era periferia passou a ser área nobre. Isso é bom, porém melhor seria se houvesse um programa de distribuição de renda humanizado.

 
Diz Plínio Salgado em uma de suas obras: “a cidade tem vida, é dinâmica, socialmente executiva e abrangente, cuida para que as transformações sociais sejam um bem comum”. Quase imperceptível, o crescimento físico da cidade se descortina para o norte, sul, leste e oeste como um invasor indomável. O povo exterioriza com ações suas aspirações que se consubstanciam no imperativo da modernidade, evidenciada pelos interesses comuns.
 
No bairro do Vamos Ver pude reviver um passado de 45 anos. Parecia um filme! Vendo os locais por onde andei, senti-me como antigamente, de short, descalço e magérrimo, correndo atrás de uma bola em direção ao gol. Que tormento! Machuquei-me de vontade, sorri desvencilhando-me do adulto que mora dentro de mim que não quer ver a velhice em confronto com o passado, muito menos com o presente. Foi ali que passei dias de ouro.
 
O campo de futebol, onde se jogava uma peladinha, desapareceu e no local nasceram novas residências e conseqüentemente novas famílias, novos jovens e novas esperanças. Custa-me acreditar que se contavam, sem dificuldade, os moradores e as casas. Ruas e ruas dispostamente organizadas esticam-se para um lado e para outro, bairro afora.
 
Hoje Vamos Ver tem quase tudo que tem uma pequena cidade, como igreja, praça, comércio e vida noturna ativa. O Doutor do Zaca, um flamenguista insuportável, sempre vestido de preto e vermelho, era o juiz das partidas que atraíam centenas de pessoas nos finais de semana. Em qualquer lugar deste País a paixão do brasileiro pelo futebol é uma febre incurável. Até mesmo em Ipueiras, tão pequena e tão distante dos grandes centros, se percebe nas pessoas de todas as idades, essa sede insaciável pelo esporte das multidões.
 
Ao longo da estrada até a entrada da cidade, espaço outrora das cavalhadas, encontram-se hotel, motel, casas residenciais e lojas de comércio. Até bem pouco tempo nossa gente não conhecia motel, pois só existia em cidades de porte mais elevado como as capitais dos Estados.
 
À margem desse mesmo trecho da estrada há uma relíquia! A casa de Pedro Malaquias Catunda. Conclamo ao Patrimônio Histórico da cidade, sua preservação, que essa pérola não seja demolida e engolida pelos especuladores imobiliários. Ela tem vida, é o passado que não pede licença ao presente para se mostrar ao futuro; o visitante ver ao vivo, sem ler, o que aconteceu de mais belo e doce nos anos que se passaram. Estilo barroco, colonial, seja o que for tem que ser conservado uma vez que é o registro da história.
 
Ipueiras não se encolheu, não ficou calada, nem tremeu assustada com a velocidade que o século XXI impôs às Nações; não fugiu do progresso e muito menos das reviravoltas da vida política nacional.
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Seu povo está atento, principalmente os atuais vereadores que trocaram os nomes de algumas das principais ruas tidas como seculares e históricas; esses logradouros públicos levavam o nome de homens cuja folha de serviço prestada à cultura e às artes é visível e inegável. Parece-me que os vultos históricos a que me refiro nada fizeram pela cidade ou pelo País.
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Provavelmente nossos parlamentares não tiveram acesso à sua biografia e por isso os expurgaram, penso que sem maldade, do arquivo memória da cidade. Não quero aqui tratá-los de desrespeitosos com a coisa pública. Contudo, uma simples consulta através dos meios de comunicações locais, teria apontado a vontade popular para a realização de tais mudanças.
 
Nas grandes democracias o povo é o poder, o governo e a decisão final de tudo. O povo é o termômetro, e assim sendo, sua vontade tem que ser respeitada porque é soberana e democrática.
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Emociona-me a reforma de restauração feita pela Prefeitura no prédio da Estação. Transitei por entre operários e matei eternas saudades. Depois de voltear à construção senti falta do sino que anunciava a chegada e a saída dos trens de passageiros.
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Também não encontrei o relógio de parede em algarismos romanos que media sem reclamação a passagem do tempo. Consultei-o várias vezes durante o dia, à noite e até de madrugada. Deve ter sido aposentado, quem sabe! Está cansado, já trabalhou sem parar durante décadas. Não imagino que o tenham destruído! Não é possível! Deve estar em algum lugar bem protegido.
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Outro calçadão semelhante ao do Açude da Rua escorrega-se pela margem da linha férrea e termina também num posto de gasolina. Há muita semelhança entre os dois. Esse é apenas menor que o outro, mas foi construído com o mesmo requinte e profissionalismo dos bons mestres da atual construção civil. Bem iluminado, arquitetonicamente belo, atrai adultos e jovens para as caminhadas matinais e noturnas que só preserva a saúde. Tanto um quanto o outro são cartões postais da cidade que é minha, que é sua, que é nossa! Eles vestem a cidade de um impressionismo saudável em que o visitante se sente à vontade e quer permanecer por mais tempo.
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São os Calçadões alguns dos pontos cumulativos e enriquecedores da propaganda turística do município. Mais para o centro da cidade já existem ruas asfaltadas. Há também Praças reconstruídas com a ousadia refinada de paisagistas de nomeada.
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No alto do Cristo Redentor vêem-se um emaranhado de torres e antenas que caracterizam o avanço de tecnologia de ponta. Em se tratando de matéria de comunicação, Ipueiras não ficou de fora da arrancada abrupta da tecnológica, foi globalizada também e ver o mundo com os mesmos olhos das grandes nações do ocidente.
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Em minha cidade, sábado sempre foi sinônimo de feira. Atualmente há feira todos os dias da semana. Frutas, legumes e verduras são encontrados até de madrugada. O comércio também cresceu assaz, embora sejam poucos os comerciantes de minha época. Não mais existem Pedro Aragão, Guarani, Luiz Aragão, Antônio Luciano nem Simãozinho na esquina da Esplanada com seu serviço de alto-falantes.
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Os jovens daquela época namoravam de verdade e se amavam como ninguém. Diz Zélia Gatai: “nos anos 60 e 70 não se ficava, mas, namorava-se como nunca e morria-se de amor”. Vivi a época mais linda do romantismo de todos os tempos. Há motivo para dizer que era feliz e não sabia!
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Entristeci-me, pois, por não ter visto minhas professoras Adelaíde Marques Cavalcante e D. Alice. Elas deixaram na juventude a marca do bem. Oxalá haverão de viver por muito mais tempo para modelarem as novas gerações de mestres e professores. Elas são verdadeiras pérolas e nunca deixarão de praticar exemplos de cidadania. Eu sinceramente não consigo esquecê-las.
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Ninguém esquece mesmo dos belos momentos, das alegrias e também das tristezas. Por menor que seja a recordação o ipueirense anota e escreve. Faz rimas, poemas, contos e crônicas com um único objetivo: louvar a cidade em que nasceu. O ipueirense é homem feliz, tem prazer de viver e é grato pelos frutos que colheu. Faz questão de não perder sua identidade matuta e cabocla.
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Quem nasceu ou viveu nessa cidade pode até morrer bem longe dela e por lá se enterrar, mas mesmo assim sua alma voltará e dirá para todos: Obrigada!

 

DEUSES ACORRENTADOS

domingo, agosto 10th, 2008

DEUSES ACORRENTADOS

 

Depois de muitos séculos de história da Mitologia grega, encontrei alguns de seus Deuses acorrentados, como escravos, num poste duma calçada de Fortaleza. Isso mesmo, acorrentados! Os mitos da Grécia Antiga não foram poupados na terra de José de Alencar. Estão acorrentados numa calçada comercial em frente ao Parque Rio Branco. A Avenida Visconde do Rio Branco, é uma das mais antigas vias da capital cearense, onde ainda há casarões de estilo colonial que aos poucos cedem lugar a modernos  arranha-céus.  

Para a cultura grega eles simbolizavam o trabalho, o amor, o mar, o fogo, a beleza, o comércio, etc. Na Ilíada de Homero todos ganham importância fundamental e são descritos como insubstituíveis à história e à cultura helênica.

Caminhei pelo parque à sombra das árvores.  Com quem vinha e com quem ia eu me comunicava ora através de gestos, ora de palavras, e o bom mesmo é que falávamos a mesma língua: qualidade de vida. Idosos e adolescentes seguiam o ritual com o mesmo objetivo, alongando-se, como se fosse uma seção de exibição muscular. Uns poucos com preparo físico de atleta corriam; outros tantos, só caminhavam. Também havia aqueles que se alongavam demasiadamente. Eu não sabia o que mais me interessava naquele instante, se caminhar ou ver estátuas. Mesmo assim meu preparo físico de atleta de fim de semana não era suficiente para correr como fazia aquela gente.

Ao caminhar eu orava com o Salmo 23 que me conduz afetuoso e temente ao meu Deus.  De vez em quando eu reduzia o ritmo da caminhada e me vinha à tona o inusitado quadro das estátuas, não as da calçada da fama, em Hollywood, mas, as do suplício na Avenida Visconde do Rio Branco. Eu precisava urgente saber o que estava acontecendo naquela calçada de deuses gregos.

De volta para casa aproximei-me delas e vi que algumas tinham olhares tristes, pensativos e semblante de cultura diferente da nossa. Outras, não sei como, aparentavam alegria e descontração mesmo maniatadas. Queria conversar com cada uma e lhe questionar o comportamento. Fiquei assaz impressionado por que as prenderam tão longe do Olimpo. Eu não duvidaria de que soltas corriam o risco de serem assaltadas. Meu Deus, neste país se roubam até estátuas!

Concordo com que se roube um beijo! Eu quando era adolescente furtei do jardim de meu vizinho uma flor para minha namorada! De minha ousadia o jardineiro não gostou nenhum pouco. Era uma rosa maravilhosamente linda quanto minha própria namoradinha! Naquela época ela tinha apenas 13 anos e eu, 16. Éramos uma doçura na relva da adolescência! Não me arrependo do ato praticado. Certamente outras pessoas, em nome do amor, fariam a mesma coisa. O amor não é perverso, é decente e envolvente! Tenho consciência de que não cometi nenhum crime.

Tudo no mundo tem seu valor intrínseco como as pedras do poema de Drummond. Concluí que estátua é uma peça de arte quando esculpida num mármore de qualidade por um grande mestre! Aquelas, coitadas, são obras de aprendiz em material de quinta categoria, embora simbolizem a riqueza da cultura grega.

Por que então prender estátuas se milhares de criminosos estão soltos? Vivemos presos há muito tempo com a falta de segurança e a incerteza do dia que vem. Custa-nos crer que esse quadro mude para melhor.  A certeza que se tem é da impunidade que continua ativa como um vulcão cuspindo fogo,  e não se sabe até quando.

Por mais danosos que sejam os erros dos políticos à sociedade, tornam-se aceitos e permitidos como normais. Quisera que nossos representantes no Congresso Nacional fizessem parte da estatuaria da Avenida Visconde do Rio Branco! Ali tem um proprietário, não sei se justo ou impiedoso, que não só algema, que também expõe os figurões na calçada á avaliação popular. E que avaliação! Se o fizéssemos também com nossos diletos procuradores políticos, o engodo social seria bem menor. Isso dá-nos a impressão de que as tais estátuas são criminosas. Nunca ouvi dizer que estátua cometesse alguma infração! Para que castigo maior do que ficar imóvel sem respirar e sem mover um dedo, sequer? 

Mas nos corredores dos principais monumentos projetados por nosso famoso arquiteto Oscar Niemeyer, desfilam, à luz do dia, criminosas estátuas. Elas são formadas em direito, arquitetura, engenharia, medicina, sociologia, etc;  e há também algumas sem formação acadêmica, que estão por toda parte; Também têm trânsito livre nos Palácios, nas Avenidas, nos Gabinetes e nas Instituições Federais. E, em pleno olhar da população, atuam desavergonhadas e sem punição como sócios do dinheiro público. Por que se algemam ingênuos e mitológicos símbolos e soltas permanecem as raposas do erário?

Direi, como, aos meus netinhos que colossais estátuas têm vida e vivem no poder? Certamente ele haverá de me perguntar: – Como, vôzinho? Será que depois que eu lhe disser que vieram das principais universidades do país, queira também ser uma dessas belas e famosas criaturas?  Como vou convencê-los a desistir da miserável missão de embaixador do crime? Poderei, de alguma forma, evitar que eles sejam contaminados por tão grave virose? Parece-me que não, porque o comportamento de nossos políticos há muito virou escola. Os personagens a que me refiro dirigem bancos, instituições federais, faculdades, hospitais, são congressistas, empresários e no fim do mês têm um invejável salário que esmaga o do parlamento inglês.

Triste é caminhar com uma perna só, como faz a maioria de nossa gente, mas mais triste ainda é saber que a impunidade tem quatro patas fortes e ainda usa as muletas dos poderes constituídos.

Os Deuses daqui não vivem na famosa montanha grega, não obstante são senhores proprietários de outros fabulosos montes. Por isso liberem as miseráveis estátuas de alvenaria e acorrentem as tão conhecidas estátuas do poder.

 

 

A LAGOA DA BESTA

sábado, agosto 9th, 2008

A LAGOA DA BESTA

 

Meu avô cavou uma cacimba no meio do Rio Jatobá, exclusivamente para dar de beber aos animais dos quais cuidava periodicamente na propriedade. Entre outras coisas ele era também um domador de cavalos. Adestrava-os conforme o pedido de seu dono.

 

A cacimba ficava a uns dois km do cercado da pastagem. Todos os dias fazíamos o mesmo caminho tocando jegues, cavalos e mulas. O velho nos ordenava levar os bichos ao bebedouro no horário de meio dia, sol a pino. De tanto gado que tratava, o único animal de seu era uma égua meio caduca que não estranhava cinco meninos montados. Disputávamos sua montaria às pressas. Quem ia, quem não ia, era uma questão de chegar primeiro. Os guris ela transportava de ida e volta à cacimba sem dar um trote sequer. Caminhava simplesmente como quem diz: Quem corre cansa. Entendíamos também que tinha cuidado para não nos machucar. Nem todos os humanos têm instinto afetivo com suas crias.

 

O tempo passava e os garotos cresciam sem parar, e cada dia eles aumentavam de peso, mas mesmo assim ela os carregava sem reclamar. De longe se via um cordão de menino trepado no seu dorso. Ninguém montava outro animal porque a maioria do lote era desconhecida e arisca. Somente ela não se opunha aos mandos da criançada. Os indiozinhos nus e pés descalços adoravam o vai-e-vem diário à fonte d’água. Até os da vizinhança participavam alegres do comboio. Uma aventura que não tinha diferença da vida numa aldeia indígena.

 

Os quase cem animais enchiam a estrada. Uma nuvem de poeira levantava e as folhas das àrvores que ladeavam o caminho tinham uma coloração avermelhada e suja. O som dos chocalhos e a pisada forte do gado produziam um barulho ensurdecedor que me lembrava o estouro de uma manada de búfalos selvagens.

 

A besta era mesmo uma besta!

 

Um dia quando nos levava de volta para casa, escorregou na lama da lagoa. Desse escorregão não mais se levantou. E como não existiam naquela época os recursos veterinários que temos hoje, não salvamos a coitada! O jeito derrengado e escarrapachado dentro da lagoa demonstrava que a dor era insuportável. As lágrimas escorriam em gotículas até as narinas. Respirava com esforço e num tom abafado que se ouvia de longe o ruído. Ela ficou mais de uma semana sem beber e sem comer porque era impossível fazê-lo na posição em que se encontrava. E aos poucos foi enfraquecendo, e se desidratava a cada dia, e morreu atolada no lamaçal.

 

Não tardou, os urubus apareceram e começaram as tarefas de limpeza da área. À distância, víamos uma tuia de carnívoros famintos, desesperados por um pedaço de carne. Assistimos àquela cena cortados de dó. Finalmente é assim a Lei de sobrevivência da selva.

 

 

Todos os anos meu irmão plantava naquela lagoa, arroz, e, nos aceiros – que são áreas menos úmidas – conjugava milho, feijão e melancia. Em honra à égua não mais plantou um pé de couve, admitindo que o lugar tinha que ser preservado. Criou-se, portanto, uma lenda de que a besta, revoltada, destruiria as plantações. E nós, que éramos seus passageiros no dia do acidente, nos culpávamos pelo que acontecera.

 

Ficou, pois, determinado que a única lavoura a ser feita naquele espaço teria que ser capim de boa qualidade para matar a fome da miserável beroba.

 

Há bem pouco tempo obedeciam-se essas regras. Não sei se ainda hoje elas vigem.

 

Algumas pessoas afirmam tê-la visto troteando nas várzeas, altas horas da noite, com vários meninos a cavalo. Como crianças, vivíamos muito assustados. A estória se espalhou com rapidez. Nossa preocupação era tão grande que qualquer tropel seria o espírito eqüino em evidência. Os cavaleiros que galopavam pela estrada traziam-nos a sensação de medo. – É ela, só pode ser ela, – pensávamos ao mesmo tempo em que procurávamos abrigo.

 

Com a morte do animal de estimação, meu avô batizou a lagoa de Lagoa da Besta que serve até hoje de ponto de referência para os mateiros e lenhadores da região. Esse nome permanece.

 A égua realmente existiu e morreu assim mesmo! A estória é verdadeira, e aconteceu no Pai Mané onde nasci e morei até os onze anos de idade

MEMORÁVEIS LEMBRANÇAS E DOCES RECORDAÇÕES – O BAIRRO DA ESTÃÇÃO FERROVIÁRIA.

sábado, agosto 9th, 2008

MEMORÁVEIS LEMBRANÇAS E DOCES RECORDAÇÕES – O BAIRRO DA ESTAÇÃO FERROVIÁRIA.

 

 

O bairro da Estação não é diferente dos outros, pois conta um pouco da história da cidade. Foi local de chegada e de partida de muitos conterrâneos que saíram e voltaram ou que partiram e nunca mais voltaram. Eu tinha onze anos de idade quando vim do Pai Mané para a Praça da Estação. Fui morar naquela rua à margem da via férrea que termina à beira do açude. Naquele espaço a que me propus a morar, assisti a muitos incidentes, como minha própria adolescência a tomar o caminho da razão e às mudanças sociais da cidade. O calçamento, o chafariz e o quiosque foram construídos na época do Prefeito  Padre Francisco Correia Lima (Conhecido por todos como Padre Correia). À época da construção eu era ainda um pirralho. A garotada corria descontraidamente como selvagem sobre as rumas de areia colocadas na praça para fazer o calçamento. Tudo aquilo compunha o cenário que servia de atração e local de brincadeira da molecada. Uma parte se deliciava brincando, e a outra, mais crescida e esperta, namorando. E assim os dias de ouro se perpetuavam desde o bom-dia da chegada do sol até o beijar da fronte da serra da ibiapaba, anunciando o fim do dia. Os grilos e vaga-lumes começavam a afinação de seus instrumentos para a grande sinfonia da noite, enquanto os sapos anunciavam sua solidão em algum lugar aonde a noite mais rapidamente chegava.

 

Chico Militão era pai de onze filhos, dentre os quais nove eram mulheres. Ele tinha fama de cuidadoso e durão. Um ciúme desgraçado das filhas, era uma de suas características! Socorro, a mais velha, era vigiada 24 horas por dia. Eu tive o privilégio de namorá-la. Seu Chico era do tipo valentão. Não podia nem sonhar que a filha estivesse-me namorando. Rapaz pobre não era bem-vindo. Ele só queria que as filhas casassem bem. Como e onde encontrar tanto homem bom, e rico, e formado, para tanta mulher! A cidade não tinha estrutura social e econômica para oferecer àquelas famílias rapazes bem sucedidos financeiramente. Na visão daquelas pessoas eu não podia namorar nenhuma daquelas moças! Infelizmente a cultura da época funcionava assim mesmo. Nem por isso deixei de  paquerar algumas delas.

 

Durante o dia eu passava várias vezes de frente à casa de Socorro. Via-a e tremia. As mãos suavam e o coração batia e forte. Da janela de minha casa trocávamos olhares e até nos esquecíamos do horário de almoço. No outro extremo da rua ela fazia o mesmo. Era namoro à antiga. Tudo acontecia à distância. Nunca ficamos pertinhos um do outro, agarradinhos, trocando beijinhos e carícias como se faz hoje. Somente à noite podíamos ouvir a voz do outro. E aquela mangueira do freio a vácuo dos vagões do trem servia como telefone. De um lado ficava um grupinho de garotas e do outro, um, de rapazes. A disputa pelo famoso Graham Bell era dramática. Hoje, quando me lembro daquela época, rio confortavelmente feliz. Não havia nenhuma ousadia de nossa parte, pois podíamos aproveitar o escurinho da praça e a liberdade de estarmos a sós entre os vagões e encenarmos doces amassos! Mas nada disso acontecia. Certamente o medo que tínhamos dos pais das garotas, freava nossas intenções!

 

Nove horas da noite em ponto seu Chico apitava e a filharada que se encontrava espalhada pela Praça saia em disparada para casa. Ele usava aquele apito de juiz de futebol. Depois de soar o apito não havia mais tempo para nada, a bola era chutada para fora de campo em qualquer direção. Era um Deus nos acuda! Percebo hoje que ele era um juiz muito carrasco! A gente ficava morrendo de raiva. Ele não apitava duas vezes nem voltava atrás para deixar as meninas mais um pouquinho na rua. Não, não tinha nada disso. O apito significava ordem a ser cumprida! Não havia uma segunda chamada! Até para nós era o fim de tudo; a noite estava encerrada. Meu Deus! Sangue de Jesus! 

 

Seu Rodolfo era o agente da estação, – e como todo nordestino – tinha também muitos filhos. Na minha concepção, Verinha era a mulher mais bonita do lugar. Eu só podia olhar; eu sabia que ela não me queria mesmo, por que então alimentar vontades e desejos! E mesmo assim seus pais não aprovariam um eventual namoro dela comigo. Ademais, eu era uma espécie de cria naquela casa. Eu não morava com eles, mas ficava o tempo inteiro na estação, praticando telegrafia. Meu sonho de um dia ser funcionário da RFFSA, obrigava-me a praticar os serviços da repartição. Foi ele quem me levou para conhecer Fortaleza. Eu não conhecia a capital do Ceará e queria ver bem de pertinho o mar. Para mim aquele gigantesco volume de água não passava de extensas plantações de milho e feijão. O oceano atlântico formava um imenso tapete verde que me assustava paca! Minha timidez caipira e infantil era visível, diante daquele quadro.  

 

A estação ferroviária era meu ponto de apoio.  Ali aprendi muito convivendo com toda aquela burocracia de chegada e saída de trens, e de despacho de mercadorias e vagões. Eu sabia todos os serviços. Até trocava licença de trem que é a autorização para o comboio se deslocar entre uma estação e outra. A REFFSA nem sabia que eu existia. Com a permissão de seu Rodolfo eu tomava decisões como se fosse funcionário da empresa. Se a empresa soubesse de minha permanência ali, ele corria sérios riscos de punição e sabe lá, até de demissão.

 

O trem de passageiro era o único meio de transporte mais rápido entre Ipueiras e Fortaleza. Eram muito movimentadas as tardes de sextas-feiras e domingos. O povo transformava a estação num ponto de encontro e lazer. Naquelas tardes inesquecíveis tínhamos a oportunidade de encontrar velhos amigos e parentes que há muito tempo não víamos. Vestiam-se as melhores roupas, usavam-se os melhores perfumes. Às três horas da tarde D. Maria Capoeiro, a cafezeira, chegava com a banquinha do café. Todos tomavam café e ninguém pagava um centavo de seu. Coitadinha!

 

Num desses dias bem movimentados Abraão subiu num vagão e começou a discursar… Ele fazia isso constantemente. Tinha mania de escritor e jornalista como o tem muitos ipueirenses. Com cada pessoa que chegava ele fazia uma prosa! Inesperadamente Abílio Sabóia aponta na cabeça do alto, com aquele caminhar característico, sempre bem vestido, chapéu de massa, óculos escuros, camisa com pano passado, etc… Abraão já discursava, e ao avistá-lo disse alto e em bom som: “O Abílio Sabóia é tão miseráve que compra duas piaba, acabar diz que é dois peixe”. O público presente ria sem parar e o excitava ainda mais para escolher outra vítima. Uma vez, em Crateús, ele estava discursando no palanque da coluna da hora, e quando me viu, disse: “aquele ali é de Ipueiras e passa tanta fome e sede que veio escapar por aqui”. 

 

Memoráveis lembranças e doces recordações alimentam-nos o ego. Aprendi que a vida é o hoje, o agora, mas o passado é peça fundamental que interage com o presente e com o futuro. Sem as bramuras do passado a vida seria bem diferente e nós não nos deleitávamos com esses episódios. De que valeria mesmo a vida se não tivesse choro nem riso! (Luiz ALPIANO Viana).

O ASTUTO CIRURGIÃO

sábado, agosto 9th, 2008

O ASTUTO CIRURGIÃO.

 

 

 

Leonel era um ipueirense que morava no Vamos Ver à margem da linha férrea, quase no Vídeo. Conheci-o ainda novo e casado. Tinha uma família de vários filhos adolescentes e adultos. Trabalhador e incansável lutador pelo pão nosso de cada dia, não era diferente dos demais donos de casa. Vivia de pequenos negócios, comprando e revendendo o que chegasse ao seu alcance: como relógio, espingarda, cavalo, jumento, cela de montaria, bicicleta e outros. Logo cedo a fama de bom vendedor espalhou-se entre amigos e conhecidos de sua área de atuação. Por causa disso não demorou a ser procurado pelos ciganos que periodicamente acampavam nos arredores da cidade. O chefe da turma conheceu-o num sábado, dia consagrado à compra e venda de mercadoria, principalmente alimentos, vindos da zona rural. A amizade se enraizou tão bem que ele cedeu parte de sua pequena propriedade para acampamento dos nômades, conhecidos por todos como ciganos. Os ciganos tinham muito respeito por ele e o obedeciam como grande chefe e amigo.

 

Finalmente tornou-se rotina aquele vai-e-vem periódico de cigano no bairro do Vamos Ver. A maioria dos moradores não aprovava a permanência deles na cidade, por causa de pequenos roubos que lhes eram atribuídos.

 

Experiente em negócio das mais variadas espécies, preparou, Leonel, um presente de grego para seus hóspedes. Adquiriu ele, não se sabe onde, um cavalo com todas as características do gosto dos ciganos, mas era bicó. Passou meses tratando o cavalo, engordou-o, ficou uma beleza! O problema que lhe tirava o sono, e quase sem solução, estava no rabo do animal. Cigano não compra animal sem rabo. Ele conhecia isso muito bem, pois vivia no meio deles há muito tempo. Não era possível vender aquele cavalo aos ciganos.

 

Sabe-se mesmo que todo problema tem solução! Ao descobrir que o trem tinha pegado um cavalo para os lados do Vídeo, foi às pressas ao local e antes que os urubus chegassem, colheu a calda e a preparou para um pequeno implante. Depois de algum tempo cuidando do rabo do cavalo morto, o astuto cirurgião concluiu a operação. Implantou uma calda nova no cavalo suro e o manteve num estábulo especial, tratando-o com biscoito e água fria, à espera de um comprador.

 

Não demorou, a turma de cigano acampa mais uma vez na propriedade de seu cicerone. Mais ou menos duzentas pessoas entre homens, mulheres, crianças, e muitos animais: cavalos, éguas, jumentos, cães e gatos. No dia seguinte, sábado, muito cedo, a ciganada dirige-se à feira, com o intuito de novos negócios, porque é disso que vivem e sempre com má fé. Leonel e sua peça rara chegaram mais cedo ao local feireiro. Aparentemente desinteressado ele desfila montado num majestoso cavalo que chama a atenção dos apaixonados por eqüino. Parecia até aqueles cavalos de biga. Logo os chefes da aldeia o cercam e o atubibam para negociá-lo. Ficam encantados; na troca oferecem relógios, revólveres, aparelhos de som e quantia certa em dinheiro, e até outro animal. O maquiavélico negociante reluta, dá um tempo, afasta-se um pouco dos ciganos e espera melhores propostas. Eles não desistem e o seguem. Finalmente aceita de última hora nova proposta e fecha negócio.

 

Sol a pino e sufocante, a feira começa a se esvaziar e todos tomam o caminho de volta para suas casas. Quem fez bons negócios, está feliz e quem fez mal, só lamenta. Os ciganos estão satisfeitos porque foram bem sucedidos e no meio de tantos negócios, compraram um lindo cavalo! Ao chegarem às barracas mostram-no aos companheiros. Cada um demonstra satisfação na compra. Montam-no, troteiam, puxam-no em círculo pelo cabresto. Arregaçam a boca do animal para ver os dentes, por fim usam todos os truques que conhecem para descobrirem defeito e não encontram nada.

 

Um garoto da aldeia, desnudo e sem maldade nenhuma, sai de uma das tendas, corre para montar a mais nova aquisição do pai. Eles, os pequenos ciganos, costumam montar, pisando no calcanhar do animal, e, apoiando-se na calda, dão um impulso e caem certeiros e estrategicamente na montaria, como fazem os índios guerreiros. Uma surpresa desagradabilíssima deixa-os atônitos. A calda, que levou horas numa meticulosa operação cirúrgica a Zerbini, descolou-se e o jovem cigano foi ao chão. Todos correram para ver o que tinha realmente acontecido. Sem dúvida nenhuma Leonel os tinha enganado! Não acreditavam no que viam. Ele não pode ter feito isso, confabulou um dos comandantes em chefe. Vamos lá conversar com ele, disse outro. Seguiram-no, uns a pé e outros a cavalo, por um pequeno trecho de caminho que dava até a casa do mestre do engodo. Leonel ao avistá-los e sabendo o que tinha aprontado, arribou rápido numa égua que pastava no terreiro de casa. Assustado, ele cutucava de espora impiedosamente o vazio da besta. Em alta velocidade, olhava constantemente por sobre os ombros e batia forte, muito forte mesmo, o chicote.  Os ciganos gritavam: Leonel… Leonel… Leonel… Nós não queremos desmanchar o negócio! Só queremos que nos ensine a botar rabo em cavalo!

 

Os ciganos ainda hoje comentam a forma como foram enganados.   Leonel também não ensinou para ninguém o truque de como botar rabo em cavalo cotó! (Luiz Alpiano Viana)

SAUDADE

sábado, agosto 9th, 2008

SAUDADE

 

Dizem que saudade é tudo aquilo que ficou daquilo que não restou. Mas eu acho que saudade é o registro do passado, lembrança inesquecível dos tempos que não voltam mais, dos primeiros passos de vida, dos erros e dos acertos que ficaram para traz.

 

Em Ipueiras vivi todas as fases de minha vida: infância, adolescência e adulta. Como posso esquecer dos lugares onde namorei, onde peralteei, dos banhos no rio Jatobá, das pescarias com um litro branco de fundo estufado para dentro! Meu rastro está gravado em volta da estação ferroviária, na calçada do Guarani e nas salas do Colégio Estadual Otacílio Mota. Cada ipueirense tem uma história belíssima para contar! Quem não se lembra de Dona Diana dedilhando numa clave de dó, energizando o ambiente nas festas de Nossa Senhora da Conceição e nas missas dominicais! Quem não se lembra também de Preta, mulher do pipoco, dos dribles desconcertantes de Paiaz, da locução de Casca, do Zeca Bento na calçada do cartório, gritando pelo Tadeu! Ah Ipueiras, de ti nunca me esquecerei! Onde quer que esteja um filho teu, honra te prestará com disposição e zelo. Teus filhos, netos e bisnetos, que brincam com as letras, sabem conjugar muito bem o verbo enaltecer. Os que são cultos te dedicam livros, crônicas e poesias. E eu, o menor dos menores, ofereço-te um texto, não com estilo jornalístico e acadêmico, mas com a verdadeira gramática do amor, da gratidão e da humildade. Eu também quero escrever-te poemas nem que sejam de versos monossilábicos. E quando eu os fizer te enviarei nem que tenham erros de fazer dó.

 

Quem já viu o sol no morro do Cristo, viu-o também se aninhar na serra da Ibiapaba. Nas veias carrega o sangue de uma tribo que, mesmo sem cultura, espezinhando como eu, a língua de Camões, tem o hábito de escrever e quer fazer sempre mais.

 

Assisti à derrubada das carnaúbas do centro da cidade. Vi Jeremias clamar para elas permanecerem de pé, mas o progresso falou mais alto e o machado impiedosamente venceu. À noite, na Rádio Vale do Jatobá, Jeremias, o cronista mais querido da cidade, lia uma crônica que dava por encerrada a época dos meninos que cavalgavam num talo de carnaúba. Como ele, eu também cavalguei num alazão, um ginete por todos admirado, com uma calda bem cuidada, ao estilo manga larga. A cidade cresceu e com ela também, seus filhos. Muitos tiveram que sair em busca de melhores dias, outros ficaram, onde ainda estão até hoje. Mesmo morando distante o ipueirense volta de vez em quando para participar da festa de Nossa Senhora da Conceição. A banda de música no patamar da igreja e a batida do sino pelo Antônio Jardilino, nas manhãs de domingo, convidando a comunidade para a Santa Missa, dá-nos um aperto no peito e faz-nos recordar memoráveis momentos, principalmente primeiro beijo e da primeira namorada.

 

Um homem raquítico, de terno, gravata, chapéu de massa, sapatos pretos, caminha à noite, a passos lentos, na calçada da Praça Padre Angelim de frente à Igreja Matriz. Ele cantarola uma música que eu não conhecia. Certamente uma de sucesso de sua época… Dario Catunda é o homem, meu mestre de língua de portuguesa, que não foge à regra, que é um exemplo ímpar de cultura e de cidadania. São coisas desse tipo de que o povo tanto se orgulha. Honro-me por saber que sou conterrâneo de Costa Matos, Gerardo Melo Mourão, Frota Neto, Boré, Heládio, Major Sebastião, Tim Mourão e tantos outros.

 

Eu te amo muito, Ipueiras! Teu sol é mais frio e aconchegante; tua brisa tem cheiro de mato verde, perfume natural da serra da Ibiapaba. Teu povo, como sempre hospitaleiro e cavalheiro, tem o coração cheio de amor e paz para ofertar. Fica em paz sob a proteção do Cristo Redentor e dorme tranqüila à margem do Jatobá. Tu serás para sempre, Ipueiras, minha eterna e querida namorada!(Luiz Alpiano Viana).

A PRAÇA DO PECADO

sábado, agosto 9th, 2008

 

A PRAÇA DO PECADO

 

Em Ipueiras existe um local que foi batizado pelos conservadores de Praça do Pecado. Nos anos 70 esse assunto foi muito comentado e criticado pelas beatas, as chamadas pulgas de igreja. Nem por isso os casais pararam de freqüentá-la. Ela está localizada no lado esquerdo da igreja matriz, com amplas calçadas e jardins arquitetonicamente projetados que convidam os visitantes a um breve passeio. Naquela época a iluminação era precária. A Prefeitura substituía constantemente as lâmpadas quebradas por vândalos, entretanto estava sempre às escuras. Comentavam algumas pessoas que os namorados, propositalmente, as quebravam para ficar do jeito que eles queriam, escuro. O funcionário da empresa de eletrificação vivia constantemente no alto dos postes colocando lâmpadas novas e no outro dia estavam de novo quebradas.

 

Eu andei algumas vezes por lá, até porque era o caminho de ida e volta por onde eu passava todos os dias para o colégio.  Qualquer jovem diria, sem titubear, que era mesmo um bom lugar para namorar. Não adianta dizer que não porque a garotada sabe o que lhe satisfaz mesmo que não seja o que queriam os pais. Dificilmente eles conseguem mudar o comportamento dos filhos. Em algumas situações é perda de tempo, pois eles estão em plena busca de liberdade e identificação e disso não abrem mão. Qual de nós não conheceu a Praça do Pecado!

 

Quando estou em Ipueiras tenho a impressão de que volto no tempo. Num dado instante lembro-me, com esmerado detalhe, o vai-e-vem dos rapazes e moças daquela época. Paqueravam-se, beijavam-se e se agarravam num ritmo alucinante sem se preocuparem com quem estivesse por perto. Naquele chamego excitante sem experiência do que fazia, uma hora estava numa praça, outra hora, noutra, a coisa mais importante era viver intensa e emocionalmente a época. Nessa permanente sintonia com o desconhecido, o jovem acaba descobrindo que a vida vale à pena. E aproveitava para vivê-la em boa companhia à noite nos bancos da praça da igreja.

 

Os bancos não eram personalizados, não obstante estavam sempre ocupados pelas mesmas pessoas que chegavam mais cedo e permaneciam até altas horas da manhã. Aquele que chegasse tarde não mais encontraria lugar, era uma disputa engraçadíssima, cada um queria ficar num lugar mais escondido, menos visível. A noite silenciosa e romântica sabia que algumas gravidezes saíram dali! Prova é que por entre as plantas dos jardins encontravam-se resquícios de absoluta liberdade sexual. Diziam os mais velhos que podiam ser vistas, sem muito esforço, cenas de sexo explícito. Se aqueles bancos falassem, segredos viriam à tona que até então somente conheciam a lua e as estrelas. Durante a noite as pessoas mais idosas desviavam o caminho porque os casais abusavam da liberdade e sem cerimônia praticavam atos libidinosos. Até mesmo no recuado das portas da igreja eles se aninhavam esperta, cômoda e despreocupadamente para chamejarem. A sociedade conservadora não via nada disso com bons olhos, pois feria profundamente os princípios cristãos orientados pela Paróquia. Toda reclamação sobre assunto dessa natureza era direcionada à igreja. Se as cenas eram desse jeito a ponto de senhoras e crianças não poderem ver, por que, então, as autoridades calavam? Eu vivi a fase de adolescente nessa mesma época, no entanto não dou notícia de nenhum comportamento exagerado da meninada. Tenho razão para falar assim: eu era um deles!

 

Esporadicamente, e sem avisar, o padre aparecia na Praça, acompanhado de duas ou três pessoas para constatar as denúncias. Outras vezes quando ele apontava no portão da casa paroquial, os casais se dispersavam para não serem identificados.

 

Orientados pelo sacerdote os pais se reuniam constantemente com os filhos para tratar de reeducação e aconselhamento familiar. A igreja atuava com muito rigor e conservadorismo na vida das famílias. O povo era obediente demais e aceitava as orientações e reclamações que viessem de fontes educativas como a igreja. Diziam os grupos de catequese que quem namorava naquele lugar não teria a salvação garantida e estava condenado ao purgatório, àquele lugar só iam as “empregadinhas domésticas”! Que discriminação, não é mesmo! É como se elas não fossem seres humanos, cidadãs, filhas de Deus.

 

As moças de família também freqüentavam a Praça do Pecado embora as mães não acreditassem. Como não sabiam de nada eram as primeiras a falarem mal da filha do vizinho. A imperfeição do ser humano só enxerga o cisco no olho alheio.  Eu até acho que os comentários eram demasiado grandes sobre os coitados dos namorados! Quem não gosta de namorar! Qual adolescente principalmente o de nossa época não tenha uma história! Ele sente-se envaidecido ao lembrar os grandes momentos inesquecíveis de sua juventude, sua virilidade, enfim, um homem completo na verdadeira acepção da palavra, eternamente perseguido pela mulherada.

 

Mesmo que a maioria das pessoas não se iniba em se amar em qualquer lugar em plena luz do adia, ainda há quem se constranja em fazê-lo em público. Por mais que o mundo tenha-se modernizado, nós da jovem guarda, ainda preferimos namorar e beijar em lugar escondido, entre quatro paredes. Mas isso depende da forma como o indivíduo foi educado. As instituições religiosas são totalmente contra, não admitem cenas de amor em lugares freqüentados por pessoas idosas e crianças. Aliás, todo excesso deve ser evitado. E é justo que o faça a Igreja porque é bom para a estruturação da família cujos frutos tendem a serem cidadãos de bem. Mas vale lembrar que namorar é um deleite da alma e é sem dúvida a melhor coisa que se faz no mundo! Faz bem à saúde, à pele, à circulação; o olho brilha, o coração bate forte, o sangue ferve. Quem disser o contrário certamente nunca viveu um momento tão sublime. Para os que ainda não passaram pela experiência, a Pracinha do Pecado ainda existe e oferece essa oportunidade. Aproveite-a, porém não quebre todas as lâmpadas senão fica escuro demais.

O MACACO E A PORCA

sábado, agosto 9th, 2008

O MACACO E A PORCA

 

Minha infância, até os 11 anos de idade, foi vivida inteiramente na roça. Tive a oportunidade de participar de alguns incidentes e a outros assistir sem perder o sagrado direito de ser moleque. Também tive meus dias de menino insuportável quando a questão principal era o direito de brincar. 

 

Naquele arraial, o dia para a criança viver suas peraltices começava exatamente quando ela acordava. Em sua volta tinha a natureza e dela retirava os brinquedos de que mais gostava, frutos de sua própria criatividade. Não eram iguais os das crianças das cidades grandes, industrializados pela Estrela ou outras empresas do ramo, porém atendia à sua necessidade.

 

A convivência com pássaros e animais se tornava uma rotina. Aí começava a vida de um roceiro em cujo meio, criava porcos, galinha, jumentos macacos, etc. Todo esse contingente de animais domésticos e alguns selvagens fazem parte do universo criado pelo próprio homem. O campo onde mora lhe faz mais bem do que a cidade. Ele se identifica muito mais rápido com o cheiro da terra, e, do mato verde.

 

No terreiro da casa os animais se misturavam. O macaco Chico está lá também. Foi um presente de um amigo de meu avô que o trouxera da serra dos cocos, Matriz de São Gonçalo. Travesso e inconveniente, ele era de fato um sério problema na casa. Quebrava xícaras, pratos, derramava potes de leite e ainda dava sumiço em muitos objetos de uso diário, como talhares e copos. Incrivelmente, todos os dias ele estava na pauta dos principais assuntos da família. Pensou-se até no pior: dar-lhe um fim, matando-o ou doando-o a quem o interessasse. Mas isso era uma medida extrema e minha avó era contra. Dizia então que quem não é macaco não pode se acostumar com macaco, mas ele pode ser aceito por outros macacos. Nós temos outro comportamento e por isso não nos entendemos. Nossa linhagem é mais avançada, mais desenvolvida.

 

O macaco era o rei da bicharada. No meio de outros animais, existia uma franga pedrês que a chamávamos de a franga do macaco. Ele a tomava de susto, enrolava o rabo no pescoço da coitadinha, e a levava para o alto das árvores. Não estava nem aí, a frangota! Ela demonstrava que gostava mesmo daquele chafurdo, sequer dava um pio. Com seu malabarismo, o Chico atormentava a todos, mas havia momentos que nos provocava risos. Em algumas ocasiões gostávamos do que fazia até porque entendíamos que não passava de um simples macaco. Suas macacadas chegaram ao conhecimento de muitas pessoas porque ele corria boa parte da região montado numa porca. A porca deveria pesar uns cinqüenta quilos. Era grande e parideira de grandes ninhadas.

 

As pessoas sempre davam notícia de um macaco montado numa porca preta, transitando em vários logradouros públicos. Seu estilo de montaria não se assemelhava ao do homem, pois ficava com a frente para trás, segurando-se no rabo de seu cavalo de estimação. Quem via, ria! Não tinha porque não rir! Era um espetáculo inusitado e a porca o obedecia cegamente.

 

Às quatro horas da manhã ele não faltava à porta de Manoel Rufino, dono de uma vendinha de café na calçada da estação ferroviária.  Seu Manoel fazia o café no fogão a lenha e acima da fornalha tinha um buraco na parede por onde seu amigo símio, pelo lado de fora, lhe pedia um pedaço de rapadura. Se o Chico demorasse, seu Manoel não esperava, contudo deixava o presente na boca do buraco. Logo que pegava o lanche, voltava imediatamente, tomava o táxi e continuava o passeio de sempre.

 

Devido ás travessuras que aprontava não se entendia bem com minha mãe. Um dia ela lhe deu uma surra de cipó de marmeleiro porque soltou do alto do juazeiro as xícaras de tomar café. Por causa disso, quando vinha de suas andanças, a alguns metros de distância da casa onde morávamos, apeava-se e corria por dentro do mato num atalho. E lá adiante esperava o cavalo chegar e o montava de novo.

 

Quem não tolerar macaquice não crie macaco! Eles às vezes nos fazem sorrir, mas também nos fazem chorar de tédio. Embora a ciência hoje nos diga que a diferença entre o homem e o macaco é de apenas quatro por cento, só em não falar, ainda estamos muito longe um do outro. Tenho certeza que se ele falasse nos xingaria com palavrões de baixo calão! A amigos não se dá presente de macaco!

 

 

O CAMINHO É O EVANGELHO DE CRISTO

quarta-feira, agosto 6th, 2008

O CAMINHO É O EVANGELHO DE CRISTO

 

Vigiemos-nos. Não nos esqueçamos de que ao nosso lado haverá sempre um espírito superior ou o chamado anjo da guarda como muitos querem, ajudando-nos na caminhada que nós mesmos escolhemos. Nunca estaremos sozinhos nesse mundo de meu Deus. É por isso que devemos praticar ações nobres que sirvam de exemplo para a humanidade. Não fugiremos da responsabilidade que assumimos. O Evangelho é a bússola que direciona todos os homens ao caminho do bem. Sem dúvida será eterno. Haverá sempre alguém que busca algo e nós o daremos porque nos evangelizamos para isso. Estaremos sempre dispostos a servi-lo porque essa ação divina é um dos ensinamentos do Messias.

 

Estamos aqui, não só para usufruir as belezas que a vida nos oferece, mas, a trabalho, principalmente pelo nosso crescimento espiritual. As oportunidades são muitas. Não falta trabalho se seguirmos a Cristo. A cada minuto que passa a vida nos oferece novas experiências e aprendizados. A terra é na verdade é uma grande escola! É realmente uma grande universidade.

 

Quer queira, quer não queira, os sofrimentos e as dores são extremamente importantes na vida de cada ser humano. É vivendo situações desse tipo que aprendemos a lidar com as dificuldades e entendemos melhor todos os incidentes com que nos envolvemos. O dia-a-dia traz-nos esperança. A fé é o alimento que aciona tudo; a esperança é, sem dúvida, a certeza de realização dos sonhos, assim como quando estamos doentes queremos sarar. Os que não têm fé não acreditam em Jesus e fazem qualquer coisa em troca de cura e sucesso.

 

Somos todos muito diferentes. São os dons espirituais de que fala o apóstolo Paulo que entram nesse contexto. Homens há, que têm o dom da oratória, outros, o da ciência, outros tantos, o da música, ou o das artes. A verdade é que cada pessoa tem seu dom. Os dons foram-nos dados por Deus, pois os trazemos do outro lado, ou melhor, do trabalho de aprendizado durante as encarnações anteriores. E essa variedade de dons entre as pessoas, ajuda a humanidade a crescer.

 

Antigamente eram chamados de gênios, os indivíduos com dons mais aguçados. Tratados diferentes, eles tinham lugar específico nas salas de aula. Não ficavam juntos aos demais alunos. Hoje, através da doutrina espírita, esse tipo de conceito foi de água abaixo.

 

Quem já teve oportunidade de ler Exilados de Capela sabe de onde vieram essas criaturas superdotadas. Sabe também que não haverá necessidade de serem separadas das demais crianças tidas como normais, até porque elas não são anormais.

 

Esses indivíduos superdotados que nos são enviados para ajudarem no desenvolvimento, na maioria das vezes são os rejeitados de Capela. Graças damos à Providência Divina que tudo sabe, e por intermédio da Doutrina Consoladora nos orienta e nos esclarece o que antes era mistério. Envia, outrossim, a terra, o grande Pai, espíritos mais evoluídos para nos auxiliarem nos diversos ramos da ciência e da tecnologia.

 

O espiritismo tem o privilégio de no uso da mediunidade ser bem informado sobre muitas questões que a população sempre conheceu como mistérios. De onde viemos? Para onde vamos? São indagações como essas que só a Sublime Doutrina sabe e responde com absoluta segurança. Mas se sabe também, que todas as pessoas são médiuns, não importa se têm ou não, uma religião.

 

As livrarias espíritas estão abarrotadas de obras de altíssimo nível científico. Obras de autores já desencarnados que continuam vivíssimos do outro lado, criando e enviando seus trabalhos literários para nós. Chico Xavier, Divaldo Franco, e muitos outros médiuns famosos dão-nos a rica oportunidade de lermos essas pérolas. É evidente que eles apenas copiam (psicografam) o que está sendo ditado pelo espírito autor da obra.

 

Acreditam algumas pessoas que os vivos não se comunicam com os mortos. Para entender tudo isso é preciso que se saiba que os chamados mortos estão mais vivos do que nós! Eles estão em sua verdadeira morada. Vale a pena lembrar o que disse o Mestre de todos os Mestres, Jesus Cristo: Na casa de meu Pai há muitas moradas…

 

Aqueles há que apesar de não saberem o que dizem, jogam comunidades inteiras contra a doutrina espírita, fugindo da responsabilidade de serem luzes a iluminar as trevas. As provas cabais dessas informações são muito claras. Como pode um homem sem letras, sem diploma acadêmico, escrever livros como: Há 2000 mil atrás, Paulo e Estevão, Nosso Lar, etc? Você que faz essa indagação tem razão de sobra. Nosso Chico Xavier sequer tinha o 3º ano primário. De fato ele não escreveu nenhum dos mais de 400 títulos que estão no mercado, e isso são provas de que outra pessoa de cultura elevadíssima o fez!

 

Agora entendeu que nós podemos comunicar-nos com quem está do outro lado? Entendeu também que não morreremos? Fomos criados para vivermos eternamente. Que maravilha! Se nós somos um pedacinho da obra de Deus e Ela é eterna, também o seremos, com certeza! Viveremos eternamente buscando melhores dias porque essa é a mensagem do Divino Pastor. Por isso é que devemos trabalhar em cima da obra de Jesus Cristo.

 

Dias melhores hão de vir não só no mundo material, mas principalmente no espiritual. Acordemos-nos! Fiquemos espertos e sigamos o Evangelho de Cristo, nosso Salvador, pois nele estão todas as seivas da vida.

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