Arquivo de dezembro, 2008

NATAL SÃO MINHAS PLANTAS

sexta-feira, dezembro 26th, 2008

NATAL SÃO MINHAS PLANTAS.

Por
Luiz Alpiano Viana
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Eu converso com elas de manhã, de tarde e de noite; cedinho, assim que me acordo, visito-as e as cumprimento delicadamente. Digo-lhes: bom dia! Boa tarde e boa noite! E, inclusive, quando me vou, peço-lhes licença para sair. Elas não se acanham e me respondem quando falo. Pelo que vejo não são tímidas nem mudas. Sinto que me ouvem e em agradecimento me perfumam a varanda e a sala de meu apartamento. Eu não sabia que elas me amam ou pelo menos querem ter boa relação comigo!
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Dizem que quando ficamos mais velhos aderimos a igrejas, movimentos sociais, animais e plantas. Mas eu gosto de tudo que tem a mão de Deus há muito tempo, não é de agora que passei dos sessenta anos.
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O perfume que as rosas soltam em minha varanda tem um toque genuinamente divino. Olho em volta e sinto a presença viva Dele, do Criador! Só não O vê quem não quer! Tremo por sentir que essa perfeição vem de Deus. O próprio homem é a prova incontestável que a Obra existe e deve ser seguida por todos.
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Nunca imaginei que um dia me apegasse tanto às plantas a ponto de me enamorar delas e para as quais fazer versos e rimas de amor! Os poetas que conheço também falam que a natureza é bela, e, com especial ênfase elegem as rosas, estrelas dos jardins.
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Não é verdade que só as mulheres gostam do belo, mas há homens que têm refinado gosto pelas coisas bonitas como pinturas, esculturas, etc. Nossos olhos e nosso coração se irmanam sentimentalmente para admirar o que de mais sublime existe: a natureza em sua plenitude original.
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As mulheres e as rosas são diferentes, é claro. Mas elas têm a ver uma com a outra. Estão sempre juntas; é harmonia de quinta-essência! Aquelas têm vidas espirituais, sentimentos e amor em abundância para dar; estas enfeitam os jardins, relembram datas, e ainda têm uma relação poderosíssima com eventos sociais, aniversários e namorados. Quem delas cuida, digamos das rosas, já conhece muitos de seus segredos e conservá-las podadas e imunes às ervas daninhas, e a alguns tipos de insetos, é providencial, pois crescem viçosas. No meu pé de cidreira – por exemplo – apareceu uma lagarta preta destruindo tudo. Aparei todos os galhos, podei-o, enfim, dei-lhe termo á festa que fazia.
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Fiquei triste quando viajei que uma delas morreu. Morreu de sede… O solo estorricou, suas pétalas secaram, sumiram e o perfume que antes despoluía a área, acabou-se. Quando vi aquele quadro me culpei por não tê-las recomendado aos meus filhos. Depois lamentei não ter dela uma foto para numa hora dessa lembrar como era antes.
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Ensino aos meus filhos e netos a protegerem a natureza, pois se não fizermos agora, daqui a umas poucas décadas não sobreviveremos! Então, vemos isso com os olhos do futuro, que as próximas gerações encontrem um planeta fértil, sadio e limpo onde respirem bem. Eu só respiro bem porque minhas plantinhas despoluem o ambiente onde vivo.
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Nesse Natal me dediquei muito ao cultivo das plantas. Não esqueci que aquelas outras, lindas e maravilhosas, que sem as quais seria difícil a vida, dedico meu respeito e minha gratidão.
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NATAL é amar a tudo que existe e FESTEJÁ-LO todos os dias. NATAL é praticar e divulgar o amor sem fronteiras.
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