Arquivo de março, 2009

A CASA DE ARTUR

segunda-feira, março 9th, 2009

21.12.07

A CASA DE ARTUR

Por

Luiz Alpiano Viana
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A casa de Artur é uma choupana de palha de carnaúba que fica no alto de uma montanha de onde se vê, em todas as direções, um cenário que é um sonho. É um quadro de encher os olhos, cuja beleza não tem as cores pintadas pelos humanos! O lugar é um presente da própria natureza a pouquíssimas pessoas neste mundo.
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De lá ele tem uma visão privilegiada para ver um admirável quadro verde que tem a maciez de um tapete persa que a mão de Deus teceu. O vento açoita fortemente a copa das gigantescas árvores que gemem como um faminto filhote de urso abandonado.
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Para comemorar o nascimento de Cristo, Artur construiu em sua humilde residência um lindo presépio, utilizando galhos secos encontrados na serrania. Nessa mesma época os ricos compram lindos presepes já montados com fina tecnologia do século. Ele sabe que sua própria casa é um presépio original. Mas o presépio dos ricos não vai tirar o brilho da confraternização natalina que todos os anos sua casa sedia.
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A família se reúne orgulhosamente para a festa de Natal como se tivesse feito o mais lindo e rico presépio do mundo. O Divino Espírito Santo é representado por uma pedrinha que tem a aparência de uma criança recém nascida, encontrada por sua filha no riacho das Antas quando peralteava como uma nativa ao ar livre da montanha; os Reis Magos são três coquinhos babaçus, sendo um deles mais escuro que o outro a que Izaura chama de Baltazar; Maria é uma boneca de cabelos longos e olhos claros, trazida por um visitante quando fazia trilha e montanhismo logo que aqui chegara Artur, há mais de dez anos; de um ninho abandonado no alto de uma centenária oiticica, que ensombra os canteiros de hortaliças, fez a manjedoura e nela, com requinte de pobreza e simplicidade, pôs o Menino, aquele que tirou os pecados do mundo.

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As visitas ao Menino se sucedem dia e noite por moradores da região que ainda acreditam que o amor está no coração de todas as pessoas, sejam elas ricas, pobres, pretas ou brancas. Pela manhã a família forma um círculo em volta da Lapinha para adorar, de joelhos e mãos postas, a Criança que sem os petrechos da vida moderna descansa sob os cuidados de Maria Santíssima. Do outro lado da sala, num biongo rústico de porta fechada por uma tanga, sua mulher amamenta o mais novo filho que nasceu neste Natal. Ela imita, com gestos e carinho de mãe, os mesmos cuidados que Jesus está tendo por Nossa Senhora.

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Como seu marido, ela descobriu que sua casa é, na verdade, um presépio que não tem móveis, cama e máquina de lavar, mas tem uma criancinha que é a imagem e a semelhança de Cristo. No coração do casal tem muito amor, é uma coisa divina que deveria acontecer com todos os seres humanos. Eles cuidam dos filhos com a mesma dedicação de Maria e José.
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Se houver a continuação da instituição família, onde se ensinam todos os gestos de amor e respeito às pessoas, haverá no futuro, filhos amáveis, dedicados, respeitosos e tementes a Deus. O Criador promove o lar onde se prega o amor ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Lembrar-nos-emos de que quando festejamos a vinda de Jesus estamos consagrando o amor á família e harmonia entre os povos. Se quisermos teremos uma sociedade isenta de ódio e abundante em ações nobres.

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Nossa casa tem que ser um santuário que sirva como exemplo, que acolha o transeunte cansado e faminto, que nas noites de frio agasalhe. A família é também o farol de referência para os que navegam sem bússola. Não deixemos que somente nessa época do ano a palavra de Deus se torne o equilíbrio da humanidade.
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O presépio improvisado por Artur simboliza a união de todos. Eis o grande mistério da vida: há lares que não têm comida; há famílias que têm filhos, que têm filho e não têm pais; que não têm amor nem esperança. Pessoas sem perspectiva de uma vida digna estão por toda parte. Outras moram em luxuosas habitações e não são felizes; e algumas, como a de Artur, que moram em casebres no alto de um morro ou numa das favelas dos rios de janeiros, vivem felizes.

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As coisas de Deus nos encantam tanto que nos deixam emocionados. Vale a pena sentir esse estado de emoção. E quando sentimos essa paz dentro de nós as lágrimas de alegria e felicidade inundam nossa face. Esperamos renovar nesse Natal os mais profundos sentimentos de amor e respeito por tudo que existe. É imperativo que as pessoas usem da simplicidade de Artur como modelo de libertação. Do presépio construído no coração de cada um de nós tiramos lições de fraternidade. A paz de espírito que a data simboliza traz a certeza de que Deus nos ama muito. E por que não O amemos também!

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FELIZ NATAL!

O POETA NUNCA MORRE

quarta-feira, março 4th, 2009

O POETA NUNCA MORRE

Por
Luiz Alpiano Viana
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O poeta nunca morre, pois é assim que dizem os saudosos. Ele estará sempre presente no coração de cada um de nós. Sua obra é o combustível que aciona os leitores e termina inundando de lágrimas os olhos de quem ler.
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Dizem que o poeta sabe o dia de sua morte, e por isso faz registro de tristeza de saudade. O que ele não sabe é que seus poemas incentivarão, mais ainda, o leitor a chorar amargamente sua perda.
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Palavras de Costa Matos na inauguração da Praça Sebastião Matos: Eu devia ter escrito… eu devia ter pensado… eu devia não dizer nada…
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Como imaginar que um homem de sua envergadura deveria ter escrito o que falar! Da mesma forma, sua invejável cultura dispensaria o pensar quando o improviso é o seu mais forte instrumento de comunicação! Sem dúvida nenhuma, naquela hora, não deixaria de falar para não dizer nada. Ele não seguiria, jamais, essa linha de comportamento, dado o seu potencial literário.
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Costa Matos tinha o trabalho como oração e por isso mesmo deixa um cabedal de obras em prosa e outras tantas joias em poesias de nomeadas. Ler tais maravilhas significa enriquecimento cultural; acondicioná-las em lugar seguro, e de destaque, é respeitar seu autor e conduzi-lo no topo dos mais lidos do mercado editorial.
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O tempo conservará no arquivo de doces lembranças, o trabalho de um homem que sempre se honrou diante do que produziu. A belaza das rimas, a disposição dos versos, o toque singelo da seriedade de um poeta que emudece para o mundo material, mas que permanecerá vivinho no coração de seus admiradores de última hora.
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O Professor continuará para sempre como nosso mestre. Em momento algum se deixou envaidecer por ser poeta. O Escritor que escreveu de manhã, de tarde e de noite, às portas fechadas, no primeiro andar de seu sobrado em Ipueiras, precisava mesmo de tempo e de isolamento para seu trabalho dar frutos de qualidade.
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Somente agora se sabe que para ser poeta e escritor como ele, tem que sofrer as duras penas dos pequenos e grandes críticos que julgam saber tudo e nada sabem.
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Quem quiser seguir as pegadas do Professor terá que ser humilde de coração, pequeno de egoísmo, mas de disciplinada aspiração futurística como ele foi.
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Esteja com Deus, Professor!
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