Arquivo de setembro, 2009

O DIA SEGUINTE

terça-feira, setembro 22nd, 2009

22.9.09

O DIA SEGUINTE

Por
Luiz Alpiano Viana

As flores, no dia seguinte, são frutos…
As rosas serão, para sempre, o símbolo da pureza;
A oração é meio de comunicação. Todos sabem…

Nas matas, cantam os pássaros belas sinfonias!
No fim das águas secam-se os córregos;
Pétalas de rosas caem quando o vento açoita
E morrem as mudas quando a chuva escassa.

O jardineiro varre as folhas que caem,
Não deixa uma solta, sequer.
E novamente o vento as espalha,
Xingando quem limpou o chalé.

Vez há que o sol chega ressacado,
E, aos poucos, da bruta farra se refaz.
Abre o olho, ainda meio sonolento,
inundando de luzes e cores, campos e pomares.

Chama o sapo sua companheira,
Para, durante a noite, não morrer de saudade.
Ela, como fêmea vaidosa se apressa,
E retoca cuidadosa a maquillage.

O sol se vai a busca de outro dia,
E, de volta, traz a noite para o deleite dos casais.
As garças se acomodam nos galhos secos das velhas oiticicas
que sem pincel pintam a noite de branco, e, o sol, o entardecer de doirado.

Com ternura os casais se aconchegam,
E sem medo, se tocam, se olham e se beijam.
A coruja caça uma caça apressada,
Pois seu filho não tardará a acordar.

O ronco do vento amedronta!
Até os cabritos em alvoroço se juntam.
E, no meio da noite, um bebezinho chora,
E a mãe como santa, dá-lhe o conforto da mama,
E desse modo o consola.

A luz da cidade é fosca
E aumenta a insegurança que reina como quer.
As ruas estão quase vazias,
Mas ficam intransitáveis assim mesmo desertas.

Os pratos nunca mais foram usados;
A ferrugem deu roupa nova aos talhares.
Infeliz época vive o miserável,
Que o próximo não vê e o deixa sem fé.

O café não tem doce, é amargo!
As pernas tremem, não podem andar;
É assim que nosso veleiro navega:
Excluído, não sabe aonde chegar.

Promete o pastor que Cristo tem hora!
Quem nele acredita, tem mais esperança;
Quem dele descorda, não verá da Aurora a chegada.

 

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