Arquivo de agosto, 2010

DÊ-ME AS MÃOS

domingo, agosto 29th, 2010

 

 

 

Dê-me as mãos! Deixe-me tocá-las suave, delicada e demoradamente!

 

Arrepio-me quando estremece de desejos, e, quando olho em seus olhos o mundo vira e desvira como uma folha seca no ar. Num segundo, durante o beijo, meu coração dispara como um louco assustado. Procuro o chão e não acho.

 

Minha imaginação viaja pelas curvas do monte coberto de vegetação nativa. Seu perfume eu sinto em cada parada e me induz a vasculhar as veredas nunca antes exploradas.

 

Convide-me a ficar nem que seja como um inexperiente caçador de pedras preciosas. Correndo veloce morro acima, como um animal selvagem, dou-lhe um beijo aqui, um ali e outro acolá; nossas vestes nunca mais foram vestidas desde a primeira noite de nosso encontro à luz da lua!

 

Já bebi várias vezes nesse oásis de água cristalina. Incentive-me ir mais além, pois só quero ser feliz e nada mais.  

UMA NOITE DE PHOLHAS

sexta-feira, agosto 6th, 2010

 

 

 

 

Encantado, cantei à Jovem Guarda. À noite, ao som de Renato e Seus Blues Caps, The Fivers e Os Pholhas revivi os anos 60, 70 e 80. Essa foi a melhor fase da música popular no Brasil. Quem viveu esse período observa nitidamente que a letra das músicas era pura poesia, um poema de amor ou coisa assim parecida.

 

As boas recordações de um passado não muito distante, estavam ali num telão, exibidas passo a passo. Os Grupos musicais que mais se ouviram nos anos 60 apresentavam-se para uma platéia de casais que, aos 17 anos, embalavam as tertúlias das noites de domingo.

 

É possível que se vivam belas e inesquecíveis fases de nossa vida em que o carinho é o combustível que alimenta. Era assim que os casais se sentiam naquela noite com o ar puro e livre de Delícias do Sertão. Os ventos de aconchegos batiam insistentemente o rosto dos presentes. Um irmão cochichou-me ao ouvido que eu não podia abusar dos bons momentos, mas deles usufruir da melhor forma possível. Foi aí que entendi que não sou adulto, mas a noite, sim! E há quem diga que ela é uma criança! Eu tinha de voltar para casa antes que o dia chegasse. Era esse o recado que ele me dava!

 

A lua despencava de cansaço e sono, e procurava lugar para um cochilo! Só se ouvía o desfilar de cada peça musical! A magia do amor nascia naquele instante, e cada uma das vitimas dessa incipiente e gostosa loucura, sabía qual o remédio, qual o antídoto das carências latentes que só o corpo denuncia.

 

O homem inteligente e criativo não espera que a parceira ensaie uma cena de amor. Ele sabe o que fazer mesmo na negritude noturna. Quem ama se alimenta de carinho, portanto, para ser educado é necessário doar-se em dose dupla. Esse é o fundamento número um da vida a dois. É providencial, nessas horas, ser cidadão desprendido de carinho para o momento ter mais dinamismo e beleza.

 

Naquela noite, Os Pholhas levaram o público de jovens pais e avôs de volta aos anos de ouro da mais bela música já cantada. E cantei também, em coro, o que se fazia há 40 anos. Senti o cheiro da brilhantina tabu que tanto usei e pensava ser a melhor do mundo.

 

Muita gente ainda não sabe que a felicidade mora dentro do peito, num canto, bem escondido. É só clicar!  Às vezes a pessoa de nossos sonhos vive no mesmo bairro, no mesmo beco e procura-se noutro endereço! É preciso ler o que outros corações escrevem nas paredes do desejo e nas páginas da esperança.

 

Dizem que só sabe amar quem beija bem, quem acaricia sem medida; é verdade que o coração tem segredo. Quem é aprendiz, capitula. A aproximação a alguém requer permissão, cuidado e jeito. Por isso os menos experientes sofrem e dizem não ter sorte, mas também afirmam não terem jeito!

 

Meus importais sentimentos estavam ativados. A lembrança do gostinho do baton me levou aos 18 anos de idade. Beijar é uma tentação tão gostosa que se não tem tempo de perguntar nada ao outro! A arte de beijar é involuntária. Eu também, às vezes, não falo, mas ajo!

 

Com aquele som destruidor de corações, os casais se sacudiam do jeito que desse certo e se beijavam num frenesi insaciável. Ninguém ficava só olhando os outros. Todos estavam fazendo a mesma coisa: Namorando! Era um Deus nos acuda, meu Jesus! Os mais excitados falavam uma linguagem esquisita que só eles mesmos decifravam.

 

Os Pholhas afogueavam os corações e acalentavam os que a sós estavam! Eu me limitei a fazer de conta que dançava, que cantava. Nada disso eu faço que preste. Na verdade eu só sei mesmo, muito bem, me agarrar, beijar e outras estripulias que aprendi quando eu ainda era rapaz. Olhei para um lado e para o outro, todos estavam… Bem, todos estavam… Aí não tive alternativa senão fazer o mesmo. Foi uma noite de gala.  

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