Arquivo de maio, 2011

O NINHO

sábado, maio 28th, 2011

O NINHO

 

 

 

 

Texto de Luiz Alpiano Viana

 

Ninho é o lugar onde se recolhem e dormem os animais; vivenda construída pelas aves, por certos insetos e por alguns peixes para a postura dos ovos e criação dos filhos. E assim por diante.

Há de se convir que um ninho seja um lugar sagrado, um lar, uma casa onde seus usuários se recolhem para dormirem, descansarem e até mesmo para se amarem. Ele nos dá proteção e segurança quase que absoluta. Como sendo um ambiente inviolável e reservado ao descanso, a espécie humana costuma também chamá-lo de ninho dos amores. 

A final de contas quem não tem um ninho? Que seja simples e humilde, mas é um ninho! Pode ser improvisado de folhas de jornal, pedaços de papelão, galhos e folhas secas, e até penas de pássaros.

Já vimos, pois, alguns construídos nos galhos das árvores, na calçada, debaixo da ponte e até em lugares muito estranhos, como por exemplo: sobre os trilhos de uma ferrovia! Em qualquer lugar onde for erguido é o ninho do casal, dos namorados, dos pombinhos… Enfim, quem dele usufrui pode considerar-se dono. É aí onde começa uma amizade que pode terminar num grande relacionamento. Que se faça dele o melhor uso possível é um direito de cada um de nós e também dos outros animais.

Ah! Existe ninho que não tem cama, ar condicionado e muito menos um simples ventilador; há, sim, uma cadeira velha sem encosto, faltando-lhe uma perna, um colchão usado e empoeirado, um armário sem porta… O conforto que tem as luxuosas mansões e coberturas ainda não chegou por lá, mas mesmo assim chama-se de lar! Nele descansa-se e dorme-se; e os filhos que o Pai mandou, ali nasceram e cresceram fortes e robustos. Hoje eles são uma felicidade, todos são muito felizes!

No lugar onde os casais vivem e se amam, deveria ser confortável e nem sempre o é! Mas há momentos em que a escolha do conforto é dispensada porque no amor não existe luxo. O amor é uma energia que vem do Alto, emanada do Criador, que penetra em nossos corações, aliviando as angústias, os sofrimentos e as dores da alma. Essa corrente fluídica quando nos encontra receptivos, toma conta de nosso ser e nos leva à paz de espírito.

O ninho é o melhor lugar onde a gente fica, dorme e ama. À noite, quando chegam marido e mulher, recolhem-se com a intuição de que estão deveras seguros. Mesmo expostos ao sol e à chuva, alguns animais cuidam, com zelo, do ambiente em que vivem. E é nesse lugar onde os raios solares ou a sutileza poética da lua, unem seres que podem viver eternamente juntos, felizes e apaixonados.

Os que se amam sem mentira, que moram no coração um do outro, são inatingíveis pelas tempestades do ódio e do orgulho; as tristezas que se lhes abaterem são de origens tão frágeis que seu efeito é totalmente despercebido.

Um ninho bem cuidado, como o de João de Barro, tem as características de seu construtor, que com muito amor, por muito tempo ali viveu, deixou seu cheiro, aquela característica que só seu companheiro ou sua companheira têm.

Penas soltas estão por todos os cantos; pequenas peças de vestuários que foram largadas de propósito como recordação de momentos inesquecíveis; marcas  profundas da convivência a dois estão estampadas por toda parte. Os galhos secos que urdiram as paredes da casa ainda permanecem lá.

Aquele que se foi deveria retornar brevemente; o que ficou espera incansavelmente pela volta dos bons dias e das belas noites. O frio voltou e não mais há aquecedor que o combata. Pede o solitário que a noite termine e o frio que o castiga vá e não volte mais! Em situações parecidas, só a saudade fica para sempre no coração dos que se amam. E que saudade!

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