Arquivo de julho, 2011

COMO É DIFÍCIL FAZER ALGUEM NOS ENTENDER!

quinta-feira, julho 14th, 2011

Texto de Luiz Alpiano Viana

 

 

Como é difícil fazer alguém nos entender!

A capacidade de discernimento entre os que se amam tem sido um problema na relação. Pesa muito, nesse contexto, a parte religiosa, isto é, a forma como cada um foi educado. A educação começa nos primeiros momentos de vida de um ser. Como cada um de nós tem pai diferente é evidente que o método educacional usado pelas famílias também o é.

O berço é a fôrma mais completa para a fabricação de homens de bem; é um útero de ouro, não para formar um corpo físico, mas um, urdido de valores morais que caracterizam o homem de hoje, letrado ou não, na sociedade em que vive.

Embora se saiba que ninguém muda ninguém, mas uma criação nos moldes antigos, feita por pais amáveis, simples e humildes, conduzirá filhos e netos às fontes moldadoras da personalidade humana. O mundo está carente de homens de bem. Nem é preciso muita atenção para se enchergar a falta de compromisso das pessoas.

Um relacionamento para ser bem sucedido tem que ser partilhado com pessoas que queiram realmente crescer juntas. Por isso é fundamental que se descubram, no parceiro ou parceira, os dons de cada um.

Os dias, meses e anos que se usam na primeira etapa da relação entre marido e mulher são de importância vital. Continuar esse trabalho é preciso. Uma relação só pode dar certo quando os dois caminham juntos, vivendo integralmente as provas e contraprovas do dia-a-dia. Cada pessoa tem valores diferentes e são exatamente essas diferenças que fazem a própria diferença. Aí está o cerne da questão!

Viver sob o mesmo teto requer muito jogo de cintura, capacidade de tolerância e também de humildade. Nenhuma convivência tem vida longa se as partes não souberem perdoar-se entre si. Há quem diga que já se cansou de perdoar os erros do outro! E como essa pessoa não tem mesmo o dom do perdão, manda embora, nas primeiras horas antes do amanhecer, sem pensar nas consequências, a companhia com quem dorme na mesma cama e partilha dos mesmos projetos; abre a porta e larga-a impiedosamente na calçada do desprezo. Fechada, bruscamente, a porta que abrira Deus para a vida dos dois, sobe os degraus do orgulho e da solidão como se aquilo lhe trouxesse satisfação e júbilo.

Jesus ensina que nunca nos cansemos de perdoar. Àquele que se cansar de fazê-lo cansado também ficará para sempre! Essa regra dita o caminho e a conduta daqueles que se propõem ao crescimento espiritual. Poucos já absolveram a luz que vem do lado do bem e muitos ainda capengam apoiados no bastão da ignorância.

As brigas podem ser mesmo por falta de educação, porém são providenciais, acredite se quiser. Muita gente não vê por esse ângulo e acaba precocemente o relacionamento que retiradas as picuinhas tinha tudo para dar certo. Os atritos muito nos ajudam no caminhar de mãos dadas com os olhos no futuro. Estimulam quem quer crescer, provam que somos diferentes, por isso a convivência do par tem que ser trabalhada e estudada com profundidade, cuidando para não repetir os mesmos erros.

Esse vai-e-vem de uma relação é uma prova e não uma tortura! É uma pesquisa a mais sobre quem queremos. Para se conviver harmoniosamente bem é imprescindível que tiremos conclusões do comportamento dos dois. Diz a maioria das pessoas que esse acaba-e-começa de uma relação é um saco! Querido leitor, todo sofrimento é um aprendizado. Esse saco, como chamam, são luzes, e, ao mesmo tempo, frutos que amadurecem durante a caminhada. São essas intolerâncias que nos apontam respostas positivas ou negativas; se há ou não disposição iminente para a caminhada.

Ao tentarmos encontrar a forma que nos proporcione o mínimo de segurança, pecamos muito um contra o outro. Estamos sempre buscando mecanismos que nos ajudem no crescimento. Enquanto isso o outro lado que não nos entende, ou não nos quer entender, condena-nos e envia-nos ao exílio da distância e do esquecimento. Mesmo distante da corte assistencial do bem, o homem não morrerá. Ele definirá outros objetivos e se aproximará de novo do caminho que perdera. O lugar aonde quer chegar não existirá se o desbaste das arestas de ambos não for uniforme e feita pelos cônjuges!

ATRITOS

sexta-feira, julho 1st, 2011

Texto de Roberto Crema

Ninguém muda ninguém; ninguém muda sozinho; nós mudamos nos encontros. Simples, mas profundo, preciso.

É nos relacionamentos que nos transformamos. Somos transformados a partir dos encontros, desde que estejamos abertos e livres para sermos impactados pela idéia e sentimento do outro.

Você já viu a diferença que há entre as pedras que estão na nascente de um rio, e as pedras que estão em sua foz? As pedras na nascente são toscas, pontiagudas, cheias de arestas. À medida que elas vão sendo carregadas pelo rio sofrendo a ação da água e se atritando com as outras pedras, ao longo de muitos anos, elas vão sendo polidas, desbastadas. Assim também agem nossos contatos humanos. Sem eles, a vida seria monótona, árida.

A observação mais importante é constatar que não existem sentimentos, bons ou ruins, sem a existência do outro, sem o seu contato. Passar pela vida sem se permitir um relacionamento próximo com o outro, é não crescer, não evoluir, não se transformar. É começar e terminar a existência com uma forma tosca, pontiaguda, amorfa.

Quando olho para trás, vejo que hoje carrego em meu ser várias marcas de pessoas extremamente importantes. Pessoas que, no contato com elas, me permitiram ir dando forma ao que sou, eliminando arestas, transformando-me em alguém melhor, mais suave, mais harmônico, mais integrado. Outras, sem dúvidas, com suas ações e palavras me criaram novas arestas, que precisaram ser desbastadas. Faz parte… Reveses momentâneos servem para o crescimento. A isso chamamos experiência. Penso que existe algo mais profundo, ainda nessa análise.

Começamos a jornada da vida como grandes pedras, cheia de excessos. Os seres de grande valor percebem que ao final da vida, foram perdendo todos os excessos que formavam suas arestas, se aproximando cada vez mais de sua essência, e ficando cada vez menores, menores, menores…

Quando finalmente aceitamos que somos pequenos, ínfimos, dada a compreensão da existência e importância do outro, e principalmente da grandeza de Deus, é que finalmente nos tornamos grande sem valor. Já viu o tamanho do diamante polido, lapidado? Sabemos quanto se tira de excesso para chegar ao seu âmago. É lá que está o verdadeiro valor… Pois, Deus fez a cada um de nós com um âmago bem forte e muito parecido com o diamante bruto, constituído de muitos elementos, mas essencialmente de amor. Deus deu a cada um de nós essa capacidade, a de amar… Mas temos que aprender como.

Para chegarmos a esse âmago, temos que nos permitir, através dos relacionamentos, ir desbastando todos os excessos que nos impedem de usá-lo, de fazê-lo brilhar. Por muito tempo em minha vida acreditei que amar significava evitar sentimentos ruins. Não entendia que ferir e ser ferido, ter e provocar raiva, ignorar e ser ignorado faz parte da construção do aprendizado do amor. Não compreendia que se aprende a amar sentindo todos esses sentimentos contraditórios e… os superando. Ora, esse sentimentos simplesmente não ocorrem se não houver envolvimento… E envolvimento gera atrito.

Minha palavra final: ATRITE-SE! Não existe outra forma de descobrir o amor. E sem ele a vida não tem significado.

CAMINHO DE UM CORAÇÃO APAIXONADO

sexta-feira, julho 1st, 2011

CAMINHO DE UM CORAÇÃO APAIXONAD

 

Por Genedite Rodrigues Torres

Caminho pela estrada fria, na penumbra de uma tarde solitária, onde a lua calada aparece disfarçada.  E só agora vejo que o sol já se foi…

Nesse instante sinto algo diferente bater no meu peito: então, eu acelero o carro e meu coração descompassa mais uma vez. Estou pensando nele…

Um dia ele veio e logo se foi… Nem se deixou olhar para o horizonte onde todas as tardes o sol se esconde… Hoje revivo às lembranças de um amor mal acabado que nem sequer  começou…

Estou pensativa, debruçada sobre a janela onde somente uma grade nos separa, e mesmo assim não impede que dele eu desvie meu olhar triste e esperançoso.  Ele se esvai…

Não quero perder o brilho do amor em meio à escuridão enfadonha que me amedronta tanto; quero de volta a luz que tinha minha estrela solar, que brilhava em meu jardim cheio de flores.

E agora, meu Deus, o que fazer com tanta recordação, se parou de sorrir meu coração? Deixe que nesta estrada eu nunca chegue ao fim! Quero alongar-me, e quem sabe, alcançar, pelo menos, um raio do sol que tirou de mim.

Se tudo que vejo faz parte dele, tudo dele é parte de mim… Um pedacinho disto e outro daquilo, sou mesmo uma partícula dos poemas dele! Sou uma pontinha do raio que dele parte e espalha amor.

Um dia serei capaz de não ocultar nada das coisas que vêm do coração. Anunciarei também para todos a chegada do cometa que cruza o céu e inspira os casais apaixonados; contagiar, com o poder do amor que há em mim sem deixar de ser feliz e de ser a estrela maior, o homem que me faz o coração tremer. Vezes há que de tanto amar, cresce o ciúme pela amplidão que esta luz tem no infinito.

Desejaria estar no alto de uma montanha e de lá olhar os que trafegam pela estrada da vida que me parece sem fim… Agora sou eu mesma que ando a passos largos em busca do chamado amor eterno, daquele sem medida, com que tanto sonhei quando ainda era menina.

Vem, amor! Vem para mim! Ou deixe que eu vá até você, seja onde for… Pode ser à beira de um lago, numa praia, num pomar, – ou quem sabe -, no mais profundo abismo… O que eu quero, sem remissão, é encontrá-lo e deixá-lo me embalar pelo seu amor; que seus lábios como um pincel de ouro, desenhe no meu corpo suado, seu coração.

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