Arquivo de novembro, 2011

INCERTEZA

domingo, novembro 27th, 2011

INCERTEZA

Texto de Luiz Alpiano Viana

Não me toque o rosto nem os lábios. Se olhar meus olhos pra falar de nós, faça-o com breve piedade.  

Todo sentimento que jaz no peito de quem ama é fruto do amor que ainda existe.  Sentimento não se perde numa vala nem nas galerias indecentes desta vida. Salvo a magia da beleza e do encanto, enquanto toda paixão bem sucedida é preservada. Precisam-se de amor e de ternura, e enquanto os desejos se cruzam o relacionamento se firma em plena paz.

Quero, pois, ficar sozinho! Que o mundo noutro sentido entenda, qual seja meu comportamento, posto que a dor não me poupe, mas muito me constrange diante da multidão faminta.

Sumiu sem endereço o espectro que antes era verso de minha poesia. Partiu sem pureza e sem destino a flor que murchou no jarro, na varanda e no jardim. Não quero num simples reencontro perfurar o peito com as lanças desferidas. O arrependimento que alimentou os namoridos crucifique-me na mesma cruz que carrego reprimido.

Quando a dor do peito é latente, dói mais que a canelada no vidro da mesa de centro. Só sabe chorar bem quem tem lágrimas, pois como cachoeiras vêm de longe, de muito distante também vem meu sofrimento.

Se não manda embora a saudade, cuide para não ser o choro incomodante do pedinte. Não se aflija se seu coração bater forte quando olhar para traz e não mais vir quem como amante preferia. Construa mais um castelo de sonhos e não fique só na vinda de seus dias, que ninguém se livra de desmonte seguido de novas despedidas.

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