Arquivo de novembro, 2013

CÓDIGO DE VIDA ETERNO

segunda-feira, novembro 25th, 2013

CÓDIGO DE VIDA ETERNO

Eu ouvia seus chamados e simplesmente O ignorava, mas eram muito claros. Ele falava altivo e carinhoso. Pediu-me para escutá-Lo com mais atenção. Fiz uma pausa e aprovei o que decidiu minha própria consciência. Aqui estou – falei sem voz – Ele me ouviu e tomou atitudes de Rei. Foi aí – então – que meus prantos banharam-me o rosto. Lembrei-me do apóstolo Paulo a caminho de Damasco quando foi interrogado por Jesus: – “Saulo, por que me persegues? E Paulo respondeu: – És tu Senhor”? Foi um momento mágico, cheio de glória. Naquele instante um clarão cegou-lhe as vistas. Era chegado o momento de se transformar num precioso vaso para a multiplicação da doutrina do Mestre.

O caminho se alongava a cada segundo, e o sol como sempre impetuoso olhava-me com raiva e me queimava a pele sem hidratante. As forças reduziam-se drasticamente, enquanto a noite se aproximava sem abrigo para um viajante incipiente. Desci a mochila dos ombros procurando um lugar seguro para sentar-me. A coruja me saudava com seu canto arrepiante.

Quando eu era menino sentia medo do canto da coruja, pois minha mãe dizia que era agouro do mal e se benzia três vezes, esconjurando-a taciturnamente. O tal rasga-mortalha, como era chamado a coruja, passava voando por sobre nossa casa. Seu canto imitava o som produzido quando se rasga uma peça de tecido novo. Noite assim, para nós crianças, não era bom porque se tinha visões e sonhava-se com almas, espíritos do mal, etc.

Minha mãe rezava o terço de Nossa Senhora de Fátima todas as noites e por isso me sentia confortavelmente protegido e dormia sossegado meu sono de criança. Não era fácil viver naquele ambiente primitivo e selvagem. Até parecia que eu não tinha nascido lá, no meio das plantações de milho e feijão. Aos poucos, com meu crescimento, fui gostando da natureza que se me apresentava rica em espécies diversas.

Meu pai fazia às vezes de professor de alfabetização e minha mãe, de religião. Todas as noites ela nos colocava em forma de círculo, de pé, e a um por um ensinava as orações da igreja católica; nosso pai pegava da História Sagrada, sentava-se à mesa e lia para ouvirmos as histórias do Rei Salomão, de Moisés, a passagem do mar vermelho, bem como sobre José do Egito. Éramos nove irmãos, entre crianças e adolescentes. A leitura era tão confortante que adormecíamos deitados no chão de terra batida da cozinha, sem conforto, sem limpeza, sem higiene nenhuma. Naquela pequena casa de taipa sem ostentação tinha só pobreza e faltava tudo do que temos hoje; em abundância existia muito amor, respeito e felicidade.

Na casinha de sapé em cujo teto tocava-se com a cabeça e em outros cômodos era preciso curvar-se para andar dentro dela, tinha uma família de nove filhos obedientes aos pais e a Deus. Eles nos ensinaram que o Pai do céu é maior do que tudo que existe acima e abaixo do céu. Extremamente religiosos e tementes a Deus, eram duros e severos no trato educacional: Boas maneiras, gentilezas e respeito eram disciplinas diárias. Bastava um olhar sério para nos chamar atenção. Foi assim que fui criado e desse mesmo jeito criei três filhos, e, aos seis netos, estão sendo passados os mesmos ensinamentos que os pais tiveram quando ainda eram crianças em meu poder.

Um dia, a procura de manga madura, caí do galho seco da mangueira e me feri no joelho. Havia sempre muito gado comendo os rebotalhos de manga. O Jarí (um touro de quase uma tonelada) partiu para me chifrar e por quase nada me acerta. Mesmo sentindo fortes dores por causa da queda, consegui escapar subindo outra vez à mangueira. Foi nesse cenário de pobreza absoluta que enxerguei o mundo olhando do alto de minhas próprias pernas. Surpreendi-me ao vê-lo esfacelado, conturbado e ao mesmo tempo mesquinho. O Senhor já me havia alertado que o escutasse com mais atenção e eu não O entendia. Foi assim que compreendi a passagem evangélica que fala da conversão de Paulo a caminho de Damasco. Saulo, como eu, não via no mundo tanto egoísmo, tanto orgulho, tanta malvadeza.

Temos que preparar essa gente para voltar à casa paterna – pensou Paulo – seguindo à risca, o mais lindo, substantivo e divino código de vida para a eternidade; a partir desse instante tornou-se Paulo o mais precioso vaso de pérolas para multiplicação da Doutrina Cristã. Nossa pequenez tem que ser eliminada através de: O EVANGELHO DE CRISTO.

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