Arquivo de dezembro, 2013

N A T A L

terça-feira, dezembro 17th, 2013

Meu presépio de Papai Noel desapareceu da soleira da porta de meu apartamento.

Sumir a figura representativa de um presepe não é nada normal, mas algo inusitado. Ademais, em plena véspera do nascimento do Menino Jesus, quando todas as pessoas se preparam para receber as bênçãos do céu?

Quão grande seria a carência amorosa de um ser que se propõe a levar uma peça símbolo do Salvador do mundo! Que ensinamento tira-se dessa atitude cuja conotação é mais de pequenez do que de pobreza absoluta? Cuida-se que se trate de brincadeira com efeito positivo nos dias em que vivemos. Admite-se, porém, que a confraternização seja em nome de Deus de amigos e de familiares, pois nessa data prima-se pela amizade e pela paz de todos os povos.

Nessa época do ano muitos indivíduos sonham em dar e receber presentes. Nem todos os sonhos são realizados, mas a maioria, sim. As lojas de departamento no centro da cidade estão completamente lotadas de mercadorias de todos os preços e valores.

Ontem, eu estive no shopping Iguatemi, durante seis horas mais ou menos, e pude observar que quanto mais se aproxima a data Magna, o Natal, o movimento nas lojas se intensifica cada vez mais. Os lojistas, por sua vez, oferecem promoções tentadoras, e, de certa forma quase obrigando o consumidor a comprar mesmo sem poder.

Há, é claro, pessoas que por natureza são consumistas de alto nível e mesmo assim sem condição financeira pertinente se endividam. Tudo acontece em nome da educação que se tem de renovar as esperanças de dias melhores ou de se ter novo recomeço. Ainda assim eu também fiz compra, mas nada de exagero!

Quero meu Papai Noel de volta não só para mim, mas para todas as pessoas. Devolva-me só a esperança de que dias melhores virão para toda a humanidade. Eu sei agora que o furto não aconteceu por acaso, pois me trouxe uma bela lição: A pessoa que o levou viva intensamente o Natal com todos os seus familiares. Que o meu Papai Noel seja também o seu Papai Noel.

TUDO ESTÁ NAS MÃOS DE DEUS

domingo, dezembro 8th, 2013

A fúria dos ventos açoitava impiedosamente as árvores que marginavam os rios da região. Viam-se ninhos grandes e pequenos no alto dos jatobás. Nenhum filhote escapou ileso. Plainavam – pelos ares – bolinhas, como de tênis, girando em alta velocidade como que tivessem sido arremessadas pela raquete de um desses mestres do tênis profissional. Pássaros passavam por sobre os cafezais, mas não eram voando e sim, dominados pelos os ventos que vinham do sul.

Parei e pedi ao céu que acalmasse a tempestade. Ele me ouviu e ela passou, contudo deixou muito estrago. Árvores centenárias de quarenta metros de altura estavam quebradas ao meio; árvores menores foram arrancadas pela raiz. Percebi claramente que as coisas de Deus são muito diferentes das do homem. O homem ainda é um pedaço mal acabado. Precisa, a meu ver, fortalecer-se principalmente na fé! Se Deus é muito mais poderoso do que tudo que existe, onde ficará o homem? Somos uma migalha dentro da gigantesca obra divina.

Quando foi feito o mundo e qual o tamanho dele? Quantas galáxias existem? Qual será realmente o maior planeta do universo? Nenhuma resposta dada até o momento pelos cientistas é capaz de satisfazer a essa pergunta. Se tudo foi feito por um ser que nossos mestres nos ensinaram a chamar de Deus, ele é grande e poderoso. Nossa imaginação se conturba só em pensar em sua grandiosidade e sabedoria que fez tudo muito grande e ao mesmo tempo muito pequeno.

Por que os homens acreditam em deuses diferentes se somente um foi o criador dessa maravilha que nos envolve? Por que existem várias religiões com ensinamentos também diferentes se só existe um único ponto de partida?

Por causa do conteúdo divino e da sabedoria infinita que o Criador exerce sobre nós, acreditamos que não somos os únicos seres aparentemente inteligentes nessa incomensurável ordem de pontos energéticos existentes no espaço. Assusta-se qualquer ser inteligente que queira esmiuçar como foi feito o mundo e tudo que nele há. Cada ser animado, visível ou invisível tem sua engenhosidade de perfeição. Nossa pequenez não tem capacidade de avaliar por que esse ou aquele animal é feio, minúsculo, grande ou mal desenhado. Somente o construtor da obra saberá dizer a razão pela qual tudo é diferente, mas cada um tem seu grau de perfeição. Conclui-se, pois, que diante de tanta sutileza da criação não pode o ser humano se desenhar o mais completo se existem múltiplas ordens nos mais variados reinos da natureza. Não se pensa que o criador se regozije da imensidão disciplinar que O personifica, não obstante somente o homem tem esse caráter mesquinho e egocêntrico de subir os degraus que supõe tê-los criados. Pobres criaturas que ainda engatinham em todos os aspetos de sua evolução.

Sabe-se que mistérios existem e desafiam àqueles supostamente inteligentes. O triângulo das bermudas é um deles que mete medo à mais poderosa nação do mundo, Os Estados Unidos da América do Norte. Quantas histórias verdadeiras estão registradas nos anais da marinha americana. Histórias que parecem lendas, mas são verdadeiras. O conhecimento humano tenta, através das ciências até agora conhecidas pelo homem, desvendar esses segredos. Mas não é fácil. O homem pensa que sabe tudo, mas nada sabe.

As maiores universidades do mundo, tidas como as mais completas no ensino de tecnologias, como as dos Estados Unidos, França, Canadá, Itália, Inglaterra, etc, estão muito distantes de entenderem os porquês disso e daquilo, quando a origem está na sabedoria divina. Urge que se convença o homem de que o planeta em que vive é um dos mais atrasados do universo ainda mais quando o assunto gira em torno de conhecer com profundeza o que ele mesmo não fez. Se admitir o homem que não existe segredo em nada, a resposta é simples e direta, mas ele ainda é muito pequeno para entender as lições que emanam do céu. Realmente não existe esse segredo; o aluno faz uma prova e sai lamentando que foi muito difícil; falta-lhe somente conhecimento sobre o assunto.

É mister que se entenda melhor o que diz a Doutrina Espírita quando fala de reencarnação. Os que se julgam mais entendidos condenam tal afirmação, baseando-se evidentemente em informações de pessoas estudiosas que lhes antecederam. Se a reencarnação fosse estudada com afinco muitas dúvidas sobre a chamada morte eram desfeitas.

Final do século XX e início do século XXI trouxeram, através da ciência e da tecnologia, o desenvolvimento tecnológico. Todas as nações do mundo foram beneficiadas. O planeta cresceu em alta escala no ramo da informática. Foi um salto gigantesco até então inesperado.

É preciso que se saiba que Deus é o grande mistério. Desvendá-Lo é impossível dada sua grandeza e pequenez do homem.

ENTREVISTA DO PROFESSOR COSTA MATOS

quarta-feira, dezembro 4th, 2013

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CARLITO MATOS:
RECUPEREI, QUASE QUE ACIDENTALMENTE, ESTA ENTREVISTA DO MEU PAI, JOSÉ COSTA MATOS, NO GOOGLE. JORNAL O POVO DE 1977. ACABEI DE LER E ME EMOCIONEI DEMAIS. ENTREVISTADO POR SEUS ALUNOS DA UNIFOR. REPASSO A VOCÊS.1:

Entrevistado: José Costa Matos

Publicada no Jornal O POVO, de 20 de novembro de 1977. A EAT oferece esta preciosidade aos seus alunos e fãs de Costa Matos, in memoriam.

[Abre aspas]: BALAIO traz hoje uma entrevista singular. O entrevistado é o versátil professor Costa Matos, que acumula funções de mestre da UNIFOR (ensina Literatura e Língua Portuguesa), escritor, filósofo, poeta e funcionário público.

Dez de seus alunos (JV de Miranda Leão Neto, Luis Carlos Gomes, Isaías Henrique de Lima, José Ferreira Martins, José Maria Soares Sales, José Roberto de Alencar Lopes, Learth P. Lira, Fátima Maria Freire, Roberto Correia São Thiago e Marilene Munguba) o entrevistaram, numa sabatina que incluiu de literatura a religião, passando pela pedagogia e pelo comportamento. O resultado é o que apresentamos a seguir.

COSTA MATOS, para os que não conhecem, é o autor de dois livros de poesia já publicados (“A Viagem” e “Pirilampos”) e tem um no prelo (“O sono das respostas”). Escreveu também “O enfoque Sócio-Econômico do Problema Tributário” (é funcionário da Receita) e o seu livro de contos “Marcelino Calça Preta”, foi agraciado, no Rio de Janeiro, com um primeiro lugar num concurso de contos. Vamos ver o que o professor Costa Matos tem para nos dizer.

A ENTREVISTA

1 – JV de Miranda Leão Neto: Como você explica a alegria e a paz que emanam de você?

– COSTA MATOS – Encontrei meios de alcançar a compreensão da unidade universal dentro do plano de Deus. Vejo, positivamente vejo que a realidade é um continente com muitos países. Assim, há uma realidade para ser conhecida predominantemente com a razão. E ela se chama ciência. Há outra para ser descoberta com o nosso faro de beleza, e é a arte. Há outra para ser sondada com as antenas da nossa fé, e é o mistério. E há uma realidade total que só se entende com muito amor. Ora, eu penso e sinto e creio e amo. Está na moda a concessão de títulos de cidadania aos forasteiros que se revelam bons ou úteis? Pois eu recebi as bandeiras de todas essas pátrias. Estou seguro e alegre em todas elas. Quero que todos saibam que isto é humano e possível, mas cada um tem que descobrir o seu caminho no mundo. Há caminhos tão estranhos, que os viajantes preconceituosos refugam logo aos primeiros passos. E se perdem, porque ninguém por perto sabe dizer que vale a pena ter crença na estranheza.

2 – Luis Carlos Gomes: Por que se expressa, nas aulas e nos poemas, como se você estivesse impedido de falar tudo?

– COSTA MATOS – Pressinto que nem tudo pode ser dito a todos. Cada um de nós tem o seu nível de entender um livro ou uma palavra. Para evitar malentendimentos, fique bem claro que ninguém, até hoje, se aproximou de mim para dizer que devo falar mais baixo. Sempre tive a liberdade de que preciso.

3 – Isaías Henrique de Lima: Suas aulas e suas poesias nos demonstram uma fé infinita. Quando ela nasceu e em que se fundamenta?

– COSTA MATOS – Minha fé continua nascendo… A fé, como tudo neste mundo, é cumulativa. Para quem tem muito dinheiro, é facílimo ficar mais rico. À medida que o avião sobe, o vôo vai ficando mais leve. As pessoas que afundam no infortúnio tendem a ficar mais amargas, até a perdição total, se não for quebrado o processo acumulador de insatisfação. Acredito na graça de Deus, esse tema de tanta vergonha para os espíritos que se dizem modernos e são apenas positivistas… O dia-a-dia confirma invariavelmente, as visualizações da minha fé e, por isso, ela adquire um dinamismo que quase me espanta. Mas isto é assunto para teólogos. Eu não sou teólogo.

4 – José Ferreira Martins: Quem foi Jesus Cristo para você?

– COSTA MATOS – Meu Mestre. Aquele que, no tempo de Simão Pedro, como agora, tem “palavra de vida eterna”. Jesus Cristo é: há um equívoco no passado do verbo empregado na pergunta.

5 – José Maria Soares Sales: Cite o melhor escritor português de todos os tempos, um brasileiro do passado e um atual.

– COSTA MATOS – Em Portugal, Eça de Queiroz. No Brasil, Machado de Assis e Graciliano Ramos. Você me permite apontar um poeta que nunca foi estudado neste País e que é um mestre de beleza e de vida? Raul de Leôni. Quanto se aprende no livro único desse poeta de trinta e um anos! [Em particular, Costa Matos citou também Luiz Carlos Lisboa, como um dos melhores escritores brasileiros de todos os tempos – Nota do revisor].

6 – José Roberto de Alencar Lopes: Se você tivesse que fazer uma modificação no Ensino atual brasileiro, qual seria?

– COSTA MATOS – Com muita utopia na pretensão, a mudança de quase tudo. Para isso, uma reordenação dos valores desta civilização. As preocupações monodimensionais do tempo esbarram, sempre, no econômico: mais recursos orçamentários, melhor remuneração para os professores. Essa visão marxista da Educação não tem soluções globais. Dentro da dinâmica social, há uma infinidade de valores interagentes. Sem amor ao magistério, por exemplo, um professor pode centuplicar o seu salário e continuará ensinando apenas a sua pobreza espiritual. Mas, diante do complexo problemático da Educação, fiquemos com a modificação unilateral pedida: é tempo de podar a “superstição do curriculum vitae”. Há profissionais do magistério que possuem um monte de diplomas e não conseguem ser professores na sala de aula. Para não aterrorizar os que só pensam o que já foi pensado por estrangeiros, aqui vai o exorcismo: esta posição é de Alvin Toffler. Melhores salários? Eu também quero. Mas quero muito mais do que isso. Muito mais.

7 – Learthe P. Lira: Você tem “uma sabedoria à parte”. Além de seus estudos, leituras e vivências, de onde provém a maior parcela de tudo que você aprende?

– COSTA MATOS – Se eu não houvesse prometido responder a todas as perguntas… Muito bonita, mas muito estranha a afirmação de que tenho “uma sabedoria à parte”. Eu não poderia confirmá-la. Ou então não tenho uma boa percepção de mim mesmo. Tudo que sei é o resultado de colheitas que faço naqueles países integrantes do continente da realidade. Em cada um deles, vivo mais intensamente o verbo mais próprio: penso, sinto, creio, amo. Além disso, quero muito bem a quem me dá uma lição de humildade. Porque o orgulho é a burrice das pessoas inteligentes…

8 – Fátima Maria de Souza Freire: O que você acha que ocorrerá, na verdade: haverá menos ou mais fé nos homens do futuro?

– COSTA MATOS – Há sinais de que vem um dia novo por aí. Os jovens procuram a poesia e se voltam para Deus. A corrida do ouro está cansando a todos: cansam os ricos e cansam os pobres. O racionalismo pretendeu ser a luz do mundo e só conseguiu descer esta noite sobre as esperanças humanas. Quem não vê a inquietação dos povos ricos? Mas está amanhecendo, com poesia e com fé. Com a beleza e com Deus.

9 – Roberto Correia São Thiago: Sobre as chamadas “perguntas primárias” do Homem, responda-nos: quem é você? Que faz no mundo? De onde vem? Para onde vai?

– COSTA MATOS – Se você cavar mais fundo nas palavras que falei, nesta entrevista, vai encontrar as respostas que posso dar a essas perguntas. Não é muito, mas quem pode saber tudo isso?

10 – Marilene Munguba: Se o mundo o escutasse agora, que mensagem lhe daria você?

– COSTA MATOS – Nenhuma. O mundo não sabe escutar. Não se salva o mundo. Prefiro dizer a quem se aproxima de mim: – Você não sabe que há um telefone tocando junto ao sono de sua alma?

[Fecha aspas]. ____________________________________________

Jornal O POVO, de Domingo, 20 de novembro de 1977 – Caderno Fim de Semana, pág. 6.

Entrevista gentilmente concedida por aquele que foi o nosso mais inspirador mestre brasileiro, e do qual tivemos a honra de conhecer e conviver longos anos de profícua amizade.

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