Arquivo de agosto, 2015

AMANHA É O DIA DO PAPAI

sábado, agosto 8th, 2015


AMANHÃ É O DIA DO PAPAI

Quando eu era criança meu pai me embalava nos braços como se eu fosse o maior troféu de sua vida. Sua barba crescida arranhava-me o rosto e eu me encolhia arrepiado, mas mesmo assim eu queria estar em seus braços o tempo todo. De onde viesse sempre me trazia alguma coisa de que criança gosta, como uma balinha, um pirulito ou algo parecido. Devido a isso havia ciúme por parte de meus irmãos, contudo eles me tinham como o irmão mais querido e continua até os dias de hoje. Eu sou um homem feliz!

Eu não me esqueci do meu tempo de menino, nem das broas de Dona Cota, nem do aluá vendido na feira em garrafinha. Até que gostaria que meu pai ainda estivesse vivo para eu continuar sendo aquele filho por quem fazia de tudo para agradar-me. O tempo se foi e com ele, meu pai. Mas eu ainda estou aqui e queria tê-lo de volta com o mesmo carinho de antigamente. Infelizmente, não mais posso tê-lo, em virtude do imperativo da Lei.

Hoje, eu sou adulto, cresci, passei a ser pai e agora sou avô. Estou vivendo um homem de cabelos grisalhos com apelido de idoso. Sempre tenho neto perto de mim. Nos shoppings faço farras terríveis com eles, e os presenteio com lembrancinhas de gente pequena nas datas de seu aniversário.

Eu também sinto necessidade de estar com eles. Creio que meu inesquecível pai gostaria de brincar com os filhos, netos e bisneto, e com eles farrear, praticando as mais diversas peraltices do mundo dos inocentes como faço eu agora.

Ser um príncipe é muito fácil. É só nascer de novo! Cada família tem seus príncipes e suas princesas. O meu principado foi cheio de amor, de ternura e carinho. Vivi intensamente essa fase no seio de meus irmãos. Não tenho inveja dos príncipes da Inglaterra. Eu só teria tido esse desgosto se tivesse nascido sem uma estrutura familiar. Eu costumo dizer que aquele que não tem berço não tem endereço. Não tem endereço porque não tem família, não tem origem, não teve quem lhe ensinasse a oração da noite e a do amanhecer; não teve quem o olhasse ou o aquecesse nas noites de frio e lhe cantasse uma música para dormir e sonhar como me faziam minha mãe e meu pai.

Eu não esqueci meu papai! Nunca o esquecerei! Se um dia voltarmos como simples irmãos, ser-nos-emos fiéis escudeiros em defesa um do outro e de todos aqueles que mais uma vez se nos apresentam como filhos, netos, bisnetos, genros e noras. Seremos sem dúvida novos reis e teremos novos príncipes e princesas em mais uma das muitas etapas da vida. É assim o trabalho de Deus: o amor ao próximo está acima de todas as coisas.

A vida numa família bem orientada pelo Evangelho de Cristo é como uma árvore que tem frutos e folhagem; não só protege do sol e da chuva como também disciplina, mostrando o caminho a verdade e a vida. E os pais, que ordenam tudo, são os únicos responsáveis por uma família bem sucedida.

Eu sinto muito a falta de meu pai! Está impregnado no meu olfato o cheiro de suas vestes, aquele aroma dele que só mesmo um filho conhece muito bem. Sinto suas mãos calejadas tocando as minhas, e suas unhas cheias de sujo da labuta que tinha no dia-a-dia.

O castelo onde nascemos e crescemos, não mais existe! O tempo, a chuva e sol destruíram-no impiedosamente. Só tenho as fotos da imaginação. Nelas vejo um homem sem ouro e sem prata esmerilando diamante nas palmas das mãos ressecadas pelo cabo da foice e do machado; o prazer do velho artesão só aparece mais tarde logo após longos e tenebrosos anos de árduo trabalho; as joias de inestimável valor espiritual por ele trabalhadas estão prontas para debutar. Deus coloca em nossas mãos as pedras brutas e nós as polimos para lhas devolver purificadas e divinas. É missão de muita responsabilidade ser pai.

Pai, você cuidou de mim, teve paciência nas horas de que mais eu precisava. Nos momentos de turbulência, pelos quais passa uma família de nove filhos, soube falar duro e áspero na hora certa; disse – com maestria – palavras doces e cheias de amor quando delas toda a família dependia. Ademais, na hora do catecismo orávamos juntos e a prece imaculada equilibrava nossos corações, nossas mentes e só você era o professor, o mestre e o pastor incansável para tocar o rebanho para o lado contrário dos predadores de plantão.

Ó Deus, poli melhor meu papai, pois foi ele quem me poliu durante toda sua estada aqui na terra. Deixou-me bem melhor. Não tenho dúvida. Creio que ele cansou, mas não desistiu do projeto de Deus. Colocou-o em prática e devido ser submetido a tanto sacrifício, envelheceu, ficou doente e partiu. Voltou à casa paterna e não sei quando haverá de voltar. Não retornará, dizem alguns, não obstante eu sei que dentro em breve ele estará de volta – quiçá já voltou – para dar continuidade à sua evolução espiritual.

Esse mundo é uma grande universidade. Nele só crescerão os que se propuserem a estudar. Estudar é cuidar de si próprio, é analisar as perspectivas de crescimento dentro do contexto vida.

Meu pai me fez homem e cidadão honrado; ele continua orientando-me assaz! E ele está vivo! Não existe morte! Nesse dia consagrado aos pais, louvo a Deus por tudo que ele fez por mim, pois com ele meu coração sempre esteve cheio de brandura e sensatez. Adrede, aceite minha homenagem ao seu dia aqui na terra! Deus o abençoe, Deus seja louvado!

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