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LER E ESCREVER

terça-feira, julho 21st, 2009

19.7.09

LER E ESCREVER

Por

Luiz Alpiano Viana
O cronista, como bom observador, está mais voltado para os temas de conteúdo educativo e político. Seu objetivo é escrever bem e levar ao povo a notícia. Para ele o importante é que seu trabalho produza os frutos desejados.
 
Já o leitor quer uma matéria que lhe prenda pela informação, mas também que tenha qualidade intelectual. Incentive os jovens, principalmente os estudantes, ao exercício da leitura. É preciso ler muito. Essa é a recomendação feita pelos mais experientes a todas as pessoas que buscam cultura.
 
O leitor está sempre atento ao que de melhor o mercado editorial tem em evidência. As livrarias estão cheias e nelas há títulos sobre todos os assuntos. Os grandes e renomados autores que deixam sua marca ao longo dos anos, estão também lá expostos no lugar dos mais vendidos. E nesse oceano de livros, além dos mais lidos, encontram-se também os últimos lançamentos.
 
Poder-se-ia ler muito se nossas crianças, a partir dos primeiros anos escolares, fossem educadas com bases pedagógicas de melhor qualidade. É fácil perceber que a maioria de nossos estudantes foi mal alfabetizada. Por causa disso é notória a deficiência na formação de mestres. O ensino como está, sem qualidade, não tem o honroso reconhecimento como o dos países de primeiro mundo. Sua correção precisa de cuidados profundos e estruturais. Só a boa vontade dos governantes o salvará.
 
Onde estarão os temas, palavras e expressões por que tanto procura o escritor para ter a preferência do público? Seu estilo é o ponto de atração que mais brilha na preferência dos admiradores. A obra, depois de lida pelos aficionados, só ganha notoriedade se realmente for de bom nível. Por isso mesmo quem escreve combina saber com cultura.
 
Ao texto o autor acrescenta, substitui e elimina palavras. Corta períodos inteiros e corrige infinitas vezes a parte gramatical. Quanto mais mexe, mais aparece o que consertar. Sente que piorou! Melhor seria fazer tudo de novo ou deixar do jeito que era antes! Esse troca-troca de palavras e constantes alterações tendem a melhorar a peça. Isso acontece mais com quem está começando. É assim a vida do incipiente cronista. E é dele de quem falo!
 
Há, no dia-a-dia de quem escreve, incidentes muito engraçados. Mas mesmo assim é satisfatório escrever o que a mente pede, mesmo que o assunto não seja lá tão atrativo. Trata-se da chamada Inspiração. Sem ela as ideias somem e o texto perde a qualidade a que se propunha o autor. Nessas horas, a melhor solução é parar tudo por alguns instantes. É bom ouvir uma música; ver o movimento da rua; escutar o som da cidade; cantarolar uma modinha; aproveitar o momento e pôr açúcar na água do colibri! Essas pequenas tarefas podem desobstruir o canal criativo, e nele, encontra o que falta à composição, o aprendiz.
 
Quando se tem o hábito de ler, as palavras surgem com incrível rapidez, comparáveis apenas a um córrego, despejando toneladas d’água, montanha a baixo. A pouco e pouco as expressões dos notáveis, bem como os termos novos veiculados na mídia, aparecem num piscar de olho. É isso mesmo! Assim, facilmente compõe-se o trabalho. A releitura é de imediato providenciada, pois que lhe mostra os erros latentes. Alguns deles grandes e arrepiantes. Para os incultos eles não assustam muito, não obstante não fogem dos olhos daqueles que pensam saber tudo.
 
A boa leitura prende o leitor de tal forma que dela se torna escravo. Ele busca mais as obras que têm essência social e filosófica. E lê somente o que julga haver de melhor qualidade. Recomenda-o imediatamente aos amigos que seguem o mesmo caminho, abrindo-se, por conseguinte, um leque de propaganda involuntária. Quase sempre os jornais dão conta desses informes culturais em cadernos específicos de suas edições. Mas mesmo assim a propaganda boca-a-boca ainda está em voga. E funciona mesmo.
 
Os grandes mestres, dos quais copiamos frases e expressões que viajam pelos séculos, também tiveram suas dificuldades. A leitura fê-los homens de letras e os trouxe, depois de anos de dedicação, às livrarias, local predileto de gigantesca população de loucos por livros.
 
Escrever sem assassinar o idioma não acontece de um dia para o outro. Requer tempo e aprimoramento. Para se chegar a esse ponto, erra-se muito. Os que fazem dessa doce tarefa um hábito, sabem disso e orientam sempre como evitar tal tragédia: ler muito!
 
Para muitas pessoas a leitura é a mais fecunda produção literária. É bom viver esses momentos! É fascinante debruçar-se por sobre um livro e ler, não importa o horário, se é de madrugada, de manhã, de tarde ou de noite. O tempo passa sem se perceber e quando dele se dá conta, imediatamente remarcam-se médicos e dentistas!
 
Não devemos ter medo de errar quando escrevemos, ainda mais o aprendiz! E agora, depois de uma reforma ortográfica a que ninguém se adaptou completamente. Faz-nos bem o erro com crítica construtiva. Deixa-nos aceso e cônscio de que não se sabe tudo, embora algumas pessoas pensem o contrário.
 
Às vezes, ao reler um trabalho, sentimos a vaidade torpe que se nos apresenta com a impressão de que tudo está correto, lindo! Engana-se, a si mesmo, quem assim pensa! Não há perfeição em nada que o homem faz. Só o Mestre é completo, diz Jesus.
Existe um mundo de pessoas que escreve muito bem e não toca trombeta nas esquinas porque sabe que não está sozinho na praia dos letrados. Na hora certa, após o trabalho honroso a que nos dedicamos, a humildade nos conduzirá com elegância espiritual ao pedestal merecido.
 
Não é raro encontrar livros jogados na lixeira. Sem cerimônia, limpe-o com carinho e ponha-o num lugar acessível onde pessoas possam vê-lo e usá-lo. O livro é o resultado de um projeto onde seu autor, erudito ou não, nele trabalhou, pesquisou horas a fio, noite adentro. Ele é um pedaço do homem que o escreveu, um fragmento de sua cultura, de seu estilo e de sua alma. Conservá-lo significa respeito ao seu autor.
 
Estará em constante ascensão quem bem ler. Não podemos dizer em pleno século XXI que não temos o que ler. Falta, isso sim, vontade de fazê-lo. Hoje em dia qualquer autor – inclusive os clássicos – está ao alcance da sociedade, seja nas livrarias, nos caga-sebos ou na Internet. Pode até, uma dessas relíquias às vezes tão garimpadas, estar dentro de nossa própria casa, jogada num canto, coberta de poeira. Normalmente está na estante da sala de visita apenas como enfeite. E não sabemos que dentro de casa há tesouros inestimáveis.
 
Quanto mais se procura a perfeição mais ela se afasta, parece arisca! Mas ela é afável, muito afável! É preciso ser humilde de coração, ter dedicação e carinho com o que faz. A partir daí tudo fica transparente e ao alcance de todos! A sabedoria caminha ao lado da perseverança e da humildade.
 
Acredita-se que ler é o caminho, o início de uma longa vida que só da gente depende. A leitura é uma droga que faz bem. Vicie-se a ela. Contamine-se com essa droga! Não tenha medo! Faça-o agora e mais tarde escreva sobre os mais variados assuntos com melhor correção.
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