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O POETA NUNCA MORRE

quarta-feira, março 4th, 2009

O POETA NUNCA MORRE

Por
Luiz Alpiano Viana
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O poeta nunca morre, pois é assim que dizem os saudosos. Ele estará sempre presente no coração de cada um de nós. Sua obra é o combustível que aciona os leitores e termina inundando de lágrimas os olhos de quem ler.
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Dizem que o poeta sabe o dia de sua morte, e por isso faz registro de tristeza de saudade. O que ele não sabe é que seus poemas incentivarão, mais ainda, o leitor a chorar amargamente sua perda.
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Palavras de Costa Matos na inauguração da Praça Sebastião Matos: Eu devia ter escrito… eu devia ter pensado… eu devia não dizer nada…
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Como imaginar que um homem de sua envergadura deveria ter escrito o que falar! Da mesma forma, sua invejável cultura dispensaria o pensar quando o improviso é o seu mais forte instrumento de comunicação! Sem dúvida nenhuma, naquela hora, não deixaria de falar para não dizer nada. Ele não seguiria, jamais, essa linha de comportamento, dado o seu potencial literário.
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Costa Matos tinha o trabalho como oração e por isso mesmo deixa um cabedal de obras em prosa e outras tantas joias em poesias de nomeadas. Ler tais maravilhas significa enriquecimento cultural; acondicioná-las em lugar seguro, e de destaque, é respeitar seu autor e conduzi-lo no topo dos mais lidos do mercado editorial.
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O tempo conservará no arquivo de doces lembranças, o trabalho de um homem que sempre se honrou diante do que produziu. A belaza das rimas, a disposição dos versos, o toque singelo da seriedade de um poeta que emudece para o mundo material, mas que permanecerá vivinho no coração de seus admiradores de última hora.
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O Professor continuará para sempre como nosso mestre. Em momento algum se deixou envaidecer por ser poeta. O Escritor que escreveu de manhã, de tarde e de noite, às portas fechadas, no primeiro andar de seu sobrado em Ipueiras, precisava mesmo de tempo e de isolamento para seu trabalho dar frutos de qualidade.
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Somente agora se sabe que para ser poeta e escritor como ele, tem que sofrer as duras penas dos pequenos e grandes críticos que julgam saber tudo e nada sabem.
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Quem quiser seguir as pegadas do Professor terá que ser humilde de coração, pequeno de egoísmo, mas de disciplinada aspiração futurística como ele foi.
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Esteja com Deus, Professor!

IPUEIRAS É ASSIM

sexta-feira, agosto 15th, 2008

IPUEIRAS É ASSIM. 
 
Estive lá, revi velhos amigos e conheci um Calçadão construído pela Prefeitura com os mesmos materiais dos da Avenida Atlântica, no Rio de Janeiro. As mesmas pedrinhas, pretas, brancas e marrons. Para o bom observador, o desenho do calçadão tem a mesma curvatura da Praia de Copacabana.
 
Aproveitei a noite silenciosa e o cochicho dos casais que namoravam nos bancos do passeio e fiz minha caminhada noturna desde o sangradouro do velho açude até o posto de gasolina. O ambiente tem a feição de uma incipiente favela porque os bairros de periferias em qualquer cidade do Brasil não têm infra-estrutura. Esses benefícios só aparecem com o advento de famílias ricas.
 
Os governos municipal, estadual e federal sempre ignoraram os descamisados, os miseráveis, os sem tetos, os sem letras. Esse é o comportamento dos nossos governantes, procedimento comum em qualquer país do mundo. Há algumas casas antigas que nos fazem voltar ao passado de 40 anos. O prédio da cadeia pública é um desses monumentos.
 
Mais ou menos no lugar onde está sendo construída uma igreja, havia uma casa e nela morou o professor Antônio Simões, ex-aluno de Academia Militar das Agulhas Negras – AMAN. Um pouco acima se ergue o Instituto Frota Neto. É uma corporação literária que oferece ao cidadão um espaço apropriado ao exercício do conhecimento e de culturas. Reforça, por conseguinte, o interesse dos jovens pelo saber e pela convivência nos meios literários onde quer que estejam.
 
Avistam-se, em diversos ângulos, modernas moradias recém construídas, um verdadeiro contraste com os casebres do mesmo local. Sem dúvida esse simples morador cederá espaço aos mais aquinhoados e mais uma vez buscará lugar adequado às suas condições financeiras. Formar-se-á entrementes nova periferia e mais uma vez sem infra-estrutura. O próprio homem transforma o meio em que vive e arregimenta responsabilidade do baixo e do alto desenvolvimento. O que era periferia passou a ser área nobre. Isso é bom, porém melhor seria se houvesse um programa de distribuição de renda humanizado.

 
Diz Plínio Salgado em uma de suas obras: “a cidade tem vida, é dinâmica, socialmente executiva e abrangente, cuida para que as transformações sociais sejam um bem comum”. Quase imperceptível, o crescimento físico da cidade se descortina para o norte, sul, leste e oeste como um invasor indomável. O povo exterioriza com ações suas aspirações que se consubstanciam no imperativo da modernidade, evidenciada pelos interesses comuns.
 
No bairro do Vamos Ver pude reviver um passado de 45 anos. Parecia um filme! Vendo os locais por onde andei, senti-me como antigamente, de short, descalço e magérrimo, correndo atrás de uma bola em direção ao gol. Que tormento! Machuquei-me de vontade, sorri desvencilhando-me do adulto que mora dentro de mim que não quer ver a velhice em confronto com o passado, muito menos com o presente. Foi ali que passei dias de ouro.
 
O campo de futebol, onde se jogava uma peladinha, desapareceu e no local nasceram novas residências e conseqüentemente novas famílias, novos jovens e novas esperanças. Custa-me acreditar que se contavam, sem dificuldade, os moradores e as casas. Ruas e ruas dispostamente organizadas esticam-se para um lado e para outro, bairro afora.
 
Hoje Vamos Ver tem quase tudo que tem uma pequena cidade, como igreja, praça, comércio e vida noturna ativa. O Doutor do Zaca, um flamenguista insuportável, sempre vestido de preto e vermelho, era o juiz das partidas que atraíam centenas de pessoas nos finais de semana. Em qualquer lugar deste País a paixão do brasileiro pelo futebol é uma febre incurável. Até mesmo em Ipueiras, tão pequena e tão distante dos grandes centros, se percebe nas pessoas de todas as idades, essa sede insaciável pelo esporte das multidões.
 
Ao longo da estrada até a entrada da cidade, espaço outrora das cavalhadas, encontram-se hotel, motel, casas residenciais e lojas de comércio. Até bem pouco tempo nossa gente não conhecia motel, pois só existia em cidades de porte mais elevado como as capitais dos Estados.
 
À margem desse mesmo trecho da estrada há uma relíquia! A casa de Pedro Malaquias Catunda. Conclamo ao Patrimônio Histórico da cidade, sua preservação, que essa pérola não seja demolida e engolida pelos especuladores imobiliários. Ela tem vida, é o passado que não pede licença ao presente para se mostrar ao futuro; o visitante ver ao vivo, sem ler, o que aconteceu de mais belo e doce nos anos que se passaram. Estilo barroco, colonial, seja o que for tem que ser conservado uma vez que é o registro da história.
 
Ipueiras não se encolheu, não ficou calada, nem tremeu assustada com a velocidade que o século XXI impôs às Nações; não fugiu do progresso e muito menos das reviravoltas da vida política nacional.
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Seu povo está atento, principalmente os atuais vereadores que trocaram os nomes de algumas das principais ruas tidas como seculares e históricas; esses logradouros públicos levavam o nome de homens cuja folha de serviço prestada à cultura e às artes é visível e inegável. Parece-me que os vultos históricos a que me refiro nada fizeram pela cidade ou pelo País.
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Provavelmente nossos parlamentares não tiveram acesso à sua biografia e por isso os expurgaram, penso que sem maldade, do arquivo memória da cidade. Não quero aqui tratá-los de desrespeitosos com a coisa pública. Contudo, uma simples consulta através dos meios de comunicações locais, teria apontado a vontade popular para a realização de tais mudanças.
 
Nas grandes democracias o povo é o poder, o governo e a decisão final de tudo. O povo é o termômetro, e assim sendo, sua vontade tem que ser respeitada porque é soberana e democrática.
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Emociona-me a reforma de restauração feita pela Prefeitura no prédio da Estação. Transitei por entre operários e matei eternas saudades. Depois de voltear à construção senti falta do sino que anunciava a chegada e a saída dos trens de passageiros.
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Também não encontrei o relógio de parede em algarismos romanos que media sem reclamação a passagem do tempo. Consultei-o várias vezes durante o dia, à noite e até de madrugada. Deve ter sido aposentado, quem sabe! Está cansado, já trabalhou sem parar durante décadas. Não imagino que o tenham destruído! Não é possível! Deve estar em algum lugar bem protegido.
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Outro calçadão semelhante ao do Açude da Rua escorrega-se pela margem da linha férrea e termina também num posto de gasolina. Há muita semelhança entre os dois. Esse é apenas menor que o outro, mas foi construído com o mesmo requinte e profissionalismo dos bons mestres da atual construção civil. Bem iluminado, arquitetonicamente belo, atrai adultos e jovens para as caminhadas matinais e noturnas que só preserva a saúde. Tanto um quanto o outro são cartões postais da cidade que é minha, que é sua, que é nossa! Eles vestem a cidade de um impressionismo saudável em que o visitante se sente à vontade e quer permanecer por mais tempo.
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São os Calçadões alguns dos pontos cumulativos e enriquecedores da propaganda turística do município. Mais para o centro da cidade já existem ruas asfaltadas. Há também Praças reconstruídas com a ousadia refinada de paisagistas de nomeada.
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No alto do Cristo Redentor vêem-se um emaranhado de torres e antenas que caracterizam o avanço de tecnologia de ponta. Em se tratando de matéria de comunicação, Ipueiras não ficou de fora da arrancada abrupta da tecnológica, foi globalizada também e ver o mundo com os mesmos olhos das grandes nações do ocidente.
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Em minha cidade, sábado sempre foi sinônimo de feira. Atualmente há feira todos os dias da semana. Frutas, legumes e verduras são encontrados até de madrugada. O comércio também cresceu assaz, embora sejam poucos os comerciantes de minha época. Não mais existem Pedro Aragão, Guarani, Luiz Aragão, Antônio Luciano nem Simãozinho na esquina da Esplanada com seu serviço de alto-falantes.
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Os jovens daquela época namoravam de verdade e se amavam como ninguém. Diz Zélia Gatai: “nos anos 60 e 70 não se ficava, mas, namorava-se como nunca e morria-se de amor”. Vivi a época mais linda do romantismo de todos os tempos. Há motivo para dizer que era feliz e não sabia!
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Entristeci-me, pois, por não ter visto minhas professoras Adelaíde Marques Cavalcante e D. Alice. Elas deixaram na juventude a marca do bem. Oxalá haverão de viver por muito mais tempo para modelarem as novas gerações de mestres e professores. Elas são verdadeiras pérolas e nunca deixarão de praticar exemplos de cidadania. Eu sinceramente não consigo esquecê-las.
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Ninguém esquece mesmo dos belos momentos, das alegrias e também das tristezas. Por menor que seja a recordação o ipueirense anota e escreve. Faz rimas, poemas, contos e crônicas com um único objetivo: louvar a cidade em que nasceu. O ipueirense é homem feliz, tem prazer de viver e é grato pelos frutos que colheu. Faz questão de não perder sua identidade matuta e cabocla.
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Quem nasceu ou viveu nessa cidade pode até morrer bem longe dela e por lá se enterrar, mas mesmo assim sua alma voltará e dirá para todos: Obrigada!

 

CANSEI DE ME OLHAR NO ESPELHO

domingo, março 5th, 2006

 

Texto de Luiz Alpiano Viana

Cansei de me olhar no espelho, tentando encontrar-me neste país tão desumano. Onde encontrar as tintas e quais as cores que cairiam bem em mim? O pintor veterano é um verdadeiro profissional, ele sempre acerta no traço das cores e quando erra, surgem matizes nunca vistos. É o aprendizado sem técnica e a descoberta involuntária. Dias há que não tem matéria prima para trabalhar, porém, como sempre, improvisa. Cuida para fazer o que pode com o de que dispõe. Bate as mãos e se conscientiza: hoje não é meu dia. Olha para o céu como que pedindo ajuda ao Criador. Sabe, todavia, que em algum lugar neste mundo de meu Deus, há abundância, de dinheiro, de trabalho, de boa vontade dos governantes, de idoneidade e de honestidade também. Lugares existem onde o homem é tratado como verdadeiro ser humano e é tido como a espécie mais valorizada de todos os tempos. Não lhe faltam os cuidados merecidos, pois o governo cumpre com sua parcela de responsabilidade. Seria um mundo, assim, com que todos sonham. As gerações se sucedem, e a movimentação do homem buscando caminhos que o levem ao oásis salvador é ininterrupta. Poder-se-ia imaginar que aqui mesmo existe esse paraíso.

 

As mãos que constroem pequenos utensílios, fabricam também grandes fortalezas, conjuntos habitacionais e conglomerados financeiros que gerariam milhares de empregos e mudariam a vida de comunidades inteiras. Escolas se abririam para formar, educar e profissionalizar milhares de pessoas, impulsionando o progresso na sua dimensão maior. A exportação e a importação de produtos domésticos e industriais, apontam o rumo do desenvolvimento. Onde encontrar esse líder, esse enviado especial que mudaria o destino de uma nação cujo progresso ainda engatinha. Teria que ser um líder de preparo espiritual e humanitário, incansável defensor do bem e do amor ao próximo, qualidades que os homens de hoje não têm.

 

Suíça, Suécia, Dinamarca e Canadá conseguiram chegar ao apogeu, lugar em que todas as nações queriam estar. Nesses países o cidadão paga corretamente seus impostos e com isso o povo não passa fome, tem educação, moradia, assistência médica e hospitalar gratuita. Não existem filas nas repartições públicas e tudo é resolvido no mesmo dia e hora. Eu queria que o Brasil fosse assim também, mas é muito difícil mudar conceitos tão egoísticos das lideranças governamentais. Os políticos são peças desse xadrez em que o objetivo principal é o acesso livre ao erário. Buscam a facilidade do enriquecimento, manipulando órgãos e repartições públicas. A maioria do povo é órfão de pai e mãe. Sabemos que não estão alí para servir à Nação, mas que entram no jogo para tirar proveito, e ninguém os consegue impedir. As leis são deles, são eles os próprios legisladores e continuam praticando os mesmos atos de sempre. A disputa pelo poder é exacerbada. Os que ali estão não querem perder a posição que desempenham, até porque outros, com o mesmo obejtivo, já estão a caminho.

 

Os milhares de reais desviados dos cofres públicos todos os anos, e a sonegação ao fisco, dariam para resolver grande parte dos problemas da população carente, como saneamento básico, escolas, hospitais e moradia. O enriquecimento ilícito de algumas dessas pessoas que manipulam o dinheiro da nação, é bem visível. Não basta o trabalho profícuo do Ministério Público de denunciar culpados, é preciso mais empenho das poucas autoridades sérias do país. Enquanto se prende um corrupto, outros milhares atuam na sala ao lado, sem medo de punição porque aqui há dois pesos e duas medidas. Felizmente nesse último governo começaram ser presas pessoas como juízes, empresários, diretores de empresas estatais, policiais militares e federais. Alguma coisa está sendo feita que nos governos anteriores seria impossível acontecer. Tomara que seja o início de um novo país, com novas leis e com novos governantes.

ONDE A VENTURA MORA

quarta-feira, abril 20th, 2005

Onde a Ventura Mora

Uma casa de palha à beira de uma estrada.
Dentro, um pote, um baú, uma rede e uma esteira,
fora, dando alegria à casa, uma roseira.
Em torno, a solidão: a grande paz sonhada…

O homem acorda cedo ouvindo a passarada:
vai ao campo cantando uma canção brejeira…
fica a embalar o filho a humilde companheira;
em seguida, faz renda ou borda na almofada.

À tardinha, é o regresso. A criança, ao vê-lo grita.
Ela acha que o marido é bom como ninguém.
Ele acha que a mulher é a mulher mais bonita.

Tu não crês na ventura; ela existe, porém:
é nessa casa pobre onde a ventura habita;
se viveres assim, serás feliz também.

Cleômenes Campos

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