Arquivo da categoria ‘O AMOR É LINDO

A VOLTA

segunda-feira, março 21st, 2011

A VOLTA

Por Luiz Alpiano Viana

Saudade mata!

Quando a saudade não quer ir embora o sofrimento aumenta. Durante à noite nenhum dos dois consegue dormir, rolando de um lado para o outro sem encontrar um lugar seguro. Ainda pela manhã o sobrevivente lembra de tudo que se passou: e o que mais mata mesmo é a lembrança do carinho que cessou.

O sol da manhã lembra o café na mesa; um cão late e uiva pedindo um ossinho como presente de seu amo. Espreita toda a casa em busca de quem se foi que seu cheiro ficou impregnado no sofá, no piso, nas cadeiras, no colcão da cama.

Em cada noite de solidão um filme de horror passa na mente de cada um. Para aquele que ficou, resta um short verde e um azul do céu. As listras da saudade são azuis e brancas, intercaladas entre si. O cheiro da pele não desbota o desejo do amante à moda antiga.

Se saudade não mexesse tanto com o coração, certamente não existiria esse aconchego doce e não se sofreria tanto como fazem os casais que brigam por nada e perdem a companhia.

Por que se briga?

Seja lá como fôr, as brigas, em determinados momentos, até alimentam a relação e ainda  confirmam que o amor existe, está aceso, vivinho e pronto para atuar. Acredita-se que com o passar do tempo tudo volte à normalidade.

O amor resiste a muitas tempestades e só tem um fim porque os dois não sabem nevegar em altas tormentas. Pensam que têm experiência de sobra só porque já tiveram mais de um relacionamento. Pensam que que sabem lidar com assuntos relacionados com o coração. Mas coitadas, estão enganadas! Ainda não sabem mesmo! Terão que sofrer muito ainda com esse acaba e começa!

Não deveria existir paixão com tantas loucuras de amor. Poder-se-ia aceitá-las, até um certo ponto, mas não como compensação de desentendimentos tortos. O ciúme doentio que inventa discussão exagerada, seria de bom alvitre ser banido totalmente para evitar uma maldade, uma catrástrofe, uma separação indesejada!

O coração de quem ama tem experiência de dor, de calmaria, de tristeza e até de ódio. É por isso que depois das brigas acontece sempre um recomeço. Isso é o que contam os que já viveram situações de refazimento. Não vejo nada demais, pelo contrário, o amor tomou à frente de tudo e decidiram voltar…

ESTRELA SOLITÁRIA

sábado, outubro 2nd, 2010

ESTRELA SOLITÁRIA

 

Texto de Luiz Alpiano Viana

O caminho que me levou a você é o mesmo da volta.

 

Minhas mãos com o perfume de seu corpo não voltaram vazias; minha boca que deixou marcas por todo seu corpo não lhe foi mesquinha e nunca lhe descontentou quando mais me pedia…

 

Um dia, vez por outra, é bom sentir saudade! E eu até gostaria de ter tudo de volta. Há algo errado nisso? Pode ser que o destino nos amedronte e nunca mais nossos lábios se toquem, nem nossos corpos se juntem.  Todavia, o amor foi caprichoso em nos dar prazer e alegria.

 

Foi uma perda o que houve, então. Não é a mesma coisa que falar que o sol voltou mais quente ou menos frio. Mas a lua, sim, sentiu saudade da gente como naquela noite de Pholhas, em plena madrugada fria.

 

A mesa de banquete da despedida foi posta por suas próprias mãos. No verso do cartão de convite não tinha nada escrito! No anverso, sim, você colocou: meu EX-AMOR, com tanta ênfase que seu egoísmo sentiu, doeu e não apagou o seu desejo de mais um carinho.

 

Volta e meia, no meio da noite, as lembranças não param. Como não vou mesmo trabalhar amanhã, pouco me importa se o Morfeu não chegar, e por isso mesmo sinto saudade de quando estava ao meu lado. O travesseiro sofre fortes abraços.

 

Uma peça de roupa dormita sobre a cama. O cheiro da pele de alguém muito especial, nela, está impregnado; as marcas de amor, da mais profunda intimida, permanecem vivas. Quem ousa apagá-las? Nenhum louco a isso se arriscaria.  

 

E, depois, quantos beijos foram dados? – Eu não sei, não tive tempo de contá-los. Nem você sabe, estava também muito ocupado. Quantas vezes suas mãos por sobre mim escorregaram, e sobre meu peito loucamente me afagaram! Se houve exagero é porque nossos corpos pediram, e sempre loucos por mais. Quem sonega carinho é deselegante e mal amado.

 

A distância diz que o amor é lindo! Então! Agora nossos momentos se foram! E por que optar por mais uma noite se tudo está acabado? Enquanto houver desejo, amor e carinho hão de existir, pois dos bons e grandes momentos sempre se sente saudade…

 

DIA DOS NAMORADOS.

segunda-feira, junho 14th, 2010

DIA DOS NAMORADOS

Por
Luiz Alpiano Viana

Tivemos lindos momentos,
esquecer é grande falha;
mas te jurei num bilhete
que ninguém nos atrapalha,
e por isso fui avante!

Dizer que não brigamos, mentimos!
Nem assim a mim respondes!
Não sei o que me fizeste
Que sinto saudade aos montes!

E sei!
Foram teus dengos e beijos,
carinhos além dos desejos.

De verdade tu me amas,
mas eu também te quero.
É por isso que te tento
desenhar em prosa e verso;
carregar-te até à cama
com uma canção do Roberto.

Fiz tudo pra ti esquecer e
nada me adiantou!
E agora atrás de ti, quando não canso, corro!

Alvíssaras!
Hoje é o nosso dia!
Dia de quem namora,
dia de quem é amado,
dia dos grandes amores,
Dia dos Namorados!

Um jarro, uma tulipa e
uma orquídea das mais raras;
uma carta e um floreiro
redefinem nossos passos.

Como evidencia o tema:
amar e ser amado,
hoje é um dia sagrado,
Eu não te esqueci, Menina!

O DIA SEGUINTE

terça-feira, setembro 22nd, 2009

22.9.09

O DIA SEGUINTE

Por
Luiz Alpiano Viana

As flores, no dia seguinte, são frutos…
As rosas serão, para sempre, o símbolo da pureza;
A oração é meio de comunicação. Todos sabem…

Nas matas, cantam os pássaros belas sinfonias!
No fim das águas secam-se os córregos;
Pétalas de rosas caem quando o vento açoita
E morrem as mudas quando a chuva escassa.

O jardineiro varre as folhas que caem,
Não deixa uma solta, sequer.
E novamente o vento as espalha,
Xingando quem limpou o chalé.

Vez há que o sol chega ressacado,
E, aos poucos, da bruta farra se refaz.
Abre o olho, ainda meio sonolento,
inundando de luzes e cores, campos e pomares.

Chama o sapo sua companheira,
Para, durante a noite, não morrer de saudade.
Ela, como fêmea vaidosa se apressa,
E retoca cuidadosa a maquillage.

O sol se vai a busca de outro dia,
E, de volta, traz a noite para o deleite dos casais.
As garças se acomodam nos galhos secos das velhas oiticicas
que sem pincel pintam a noite de branco, e, o sol, o entardecer de doirado.

Com ternura os casais se aconchegam,
E sem medo, se tocam, se olham e se beijam.
A coruja caça uma caça apressada,
Pois seu filho não tardará a acordar.

O ronco do vento amedronta!
Até os cabritos em alvoroço se juntam.
E, no meio da noite, um bebezinho chora,
E a mãe como santa, dá-lhe o conforto da mama,
E desse modo o consola.

A luz da cidade é fosca
E aumenta a insegurança que reina como quer.
As ruas estão quase vazias,
Mas ficam intransitáveis assim mesmo desertas.

Os pratos nunca mais foram usados;
A ferrugem deu roupa nova aos talhares.
Infeliz época vive o miserável,
Que o próximo não vê e o deixa sem fé.

O café não tem doce, é amargo!
As pernas tremem, não podem andar;
É assim que nosso veleiro navega:
Excluído, não sabe aonde chegar.

Promete o pastor que Cristo tem hora!
Quem nele acredita, tem mais esperança;
Quem dele descorda, não verá da Aurora a chegada.

 

UM CASAL DE VELHILNHOS

quarta-feira, fevereiro 4th, 2009

Por
Luiz Alpiano Viana
*
Um mascate viaja pelo interior, e já no fim da tarde se preocupa com um local para dormir. A noite chega abruptamente. Muito cansado com o peso que carrega, avista, de repente, um casebre à beira do caminho.
*
É uma casinha dessas de apenas dois cômodos que qualquer pessoa, por mais baixa que seja, dentro dela anda curvado. Sem pensar duas vezes, ele se dirige para lá. A porta é feita de varas transadas e por trás há um pano como quebra luz. Está fechada desde cedo, uma vez que seus ocupantes se recolhem logo que escurece.
*

O visitante teme chamar já que é um desconhecido na região. Decide, então, e usa da linguagem de épocas passadas para dar uma conotação de paz, e diz: Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo. Espera um pouco. Depois de alguns segundos uma voz rouca e senil, responde: Deus seja louvado!

*

Não tarda, e pelas brechas da porta, ele vê um vulto se aproximar, e, em seguida, acende uma lamparina. O velho puxa, em dois tempos, a porta de vara que fecha a residência. Ainda pelo lado de dentro cumprimenta o transeunte: Boa noite. Seja bem vindo! Manda-o entrar e sentar-se. Na saleta de visitas, o assento é um tronco sobre duas pequenas forquilhas fincadas no solo batido.

*

A casa é simples, nela não há luxo nem dinheiro, mas, pobre de espírito. Sim, isso mesmo, um casal pobre de espírito. Tudo isso logo é comprovado através dos atos corteses e humanos por eles praticados. É uma gente humilde e sadia de bons costumes à moda antiga. Indaga ao velho, o homem, se pode dormir e prontamente é acolhido.

*

O casal, com a simplicidade e generosidade de campesino, oferece-lhe água e um pouco de comida que sobrara da última refeição. Após o pequeno jantar, agradece aos Céus e trata de se ajeitar num canto da sala. Os dois idosos se recolhem para seu aposento.
*
Meia parede, de aproximadamente 1,30m, separa-os do hóspede. O homem põe seus pertences de um lado e se aninha no outro, do jeito que pode, para dormir. O cansaço é grande e a dormida é desconfortável demais. Uns sons estranhos chamam-no a atenção. Ouve bem compassado: Hum… Hum… Hum… Ué! Que é isso! Será que há alguém doente aqui? Ou esses octogenários ainda praticam sexo? Não acredito! Com certeza o que ele escuta não é uma oração!
*
Estica-se novamente no improvisado leito, no entanto, à medida que o tempo passa os gemidos aumentam ainda mais. Dá vontade de olhar por sobre a parede, só que acha deselegante e desrespeitoso. Aliás, nem precisa de esforço para ver quem está do outro lado, porém fica atento aos gemidos que não são de sofrimentos. Não se contém, larga da dormida, anda pouco mais de um metro até a parede do quarto. Levanta-se lenta, cuidadosa e curiosamente! Seu coração bate diferente do normal, e o hum, hum, hum, não cessa. Numa visão panorâmica vê tudo o que se passa dentro da alcova.

*

E que surpresa! Nas redes armadas em paralelo, o casal está sentado de frente um para o outro e fuma no mesmo cachimbo! Quando o velho puxa a fumaça – e ainda de boca cheia – passa o cachimbo e diz: Hum…Sua companheira faz a mesma coisa, sorve a fumaça e lho devolve com a mesma expressão do marido: Hum! Nesse hum, hum, hum, ocupam alguns minutos, noite adentro, fumando.

*

Apesar da prevaricação, o homem ri descontraído e os deixa quietos e volta à dormida despreocupadamente. Felizmente dorme como um anjo e no outro dia, ainda cedo da manhã, segue seu destino, deixando para traz um grande mistério: O mistério do amor! O amor existe e é extensivo a todos. Não importa a forma de praticá-lo. Faz bem, traz paz e equilíbrio. E para tê-lo não precisa ser rico nem viver em luxuosas moradias.

O CAMINHO É O EVANGELHO DE CRISTO

quarta-feira, agosto 6th, 2008

O CAMINHO É O EVANGELHO DE CRISTO

 

Vigiemos-nos. Não nos esqueçamos de que ao nosso lado haverá sempre um espírito superior ou o chamado anjo da guarda como muitos querem, ajudando-nos na caminhada que nós mesmos escolhemos. Nunca estaremos sozinhos nesse mundo de meu Deus. É por isso que devemos praticar ações nobres que sirvam de exemplo para a humanidade. Não fugiremos da responsabilidade que assumimos. O Evangelho é a bússola que direciona todos os homens ao caminho do bem. Sem dúvida será eterno. Haverá sempre alguém que busca algo e nós o daremos porque nos evangelizamos para isso. Estaremos sempre dispostos a servi-lo porque essa ação divina é um dos ensinamentos do Messias.

 

Estamos aqui, não só para usufruir as belezas que a vida nos oferece, mas, a trabalho, principalmente pelo nosso crescimento espiritual. As oportunidades são muitas. Não falta trabalho se seguirmos a Cristo. A cada minuto que passa a vida nos oferece novas experiências e aprendizados. A terra é na verdade é uma grande escola! É realmente uma grande universidade.

 

Quer queira, quer não queira, os sofrimentos e as dores são extremamente importantes na vida de cada ser humano. É vivendo situações desse tipo que aprendemos a lidar com as dificuldades e entendemos melhor todos os incidentes com que nos envolvemos. O dia-a-dia traz-nos esperança. A fé é o alimento que aciona tudo; a esperança é, sem dúvida, a certeza de realização dos sonhos, assim como quando estamos doentes queremos sarar. Os que não têm fé não acreditam em Jesus e fazem qualquer coisa em troca de cura e sucesso.

 

Somos todos muito diferentes. São os dons espirituais de que fala o apóstolo Paulo que entram nesse contexto. Homens há, que têm o dom da oratória, outros, o da ciência, outros tantos, o da música, ou o das artes. A verdade é que cada pessoa tem seu dom. Os dons foram-nos dados por Deus, pois os trazemos do outro lado, ou melhor, do trabalho de aprendizado durante as encarnações anteriores. E essa variedade de dons entre as pessoas, ajuda a humanidade a crescer.

 

Antigamente eram chamados de gênios, os indivíduos com dons mais aguçados. Tratados diferentes, eles tinham lugar específico nas salas de aula. Não ficavam juntos aos demais alunos. Hoje, através da doutrina espírita, esse tipo de conceito foi de água abaixo.

 

Quem já teve oportunidade de ler Exilados de Capela sabe de onde vieram essas criaturas superdotadas. Sabe também que não haverá necessidade de serem separadas das demais crianças tidas como normais, até porque elas não são anormais.

 

Esses indivíduos superdotados que nos são enviados para ajudarem no desenvolvimento, na maioria das vezes são os rejeitados de Capela. Graças damos à Providência Divina que tudo sabe, e por intermédio da Doutrina Consoladora nos orienta e nos esclarece o que antes era mistério. Envia, outrossim, a terra, o grande Pai, espíritos mais evoluídos para nos auxiliarem nos diversos ramos da ciência e da tecnologia.

 

O espiritismo tem o privilégio de no uso da mediunidade ser bem informado sobre muitas questões que a população sempre conheceu como mistérios. De onde viemos? Para onde vamos? São indagações como essas que só a Sublime Doutrina sabe e responde com absoluta segurança. Mas se sabe também, que todas as pessoas são médiuns, não importa se têm ou não, uma religião.

 

As livrarias espíritas estão abarrotadas de obras de altíssimo nível científico. Obras de autores já desencarnados que continuam vivíssimos do outro lado, criando e enviando seus trabalhos literários para nós. Chico Xavier, Divaldo Franco, e muitos outros médiuns famosos dão-nos a rica oportunidade de lermos essas pérolas. É evidente que eles apenas copiam (psicografam) o que está sendo ditado pelo espírito autor da obra.

 

Acreditam algumas pessoas que os vivos não se comunicam com os mortos. Para entender tudo isso é preciso que se saiba que os chamados mortos estão mais vivos do que nós! Eles estão em sua verdadeira morada. Vale a pena lembrar o que disse o Mestre de todos os Mestres, Jesus Cristo: Na casa de meu Pai há muitas moradas…

 

Aqueles há que apesar de não saberem o que dizem, jogam comunidades inteiras contra a doutrina espírita, fugindo da responsabilidade de serem luzes a iluminar as trevas. As provas cabais dessas informações são muito claras. Como pode um homem sem letras, sem diploma acadêmico, escrever livros como: Há 2000 mil atrás, Paulo e Estevão, Nosso Lar, etc? Você que faz essa indagação tem razão de sobra. Nosso Chico Xavier sequer tinha o 3º ano primário. De fato ele não escreveu nenhum dos mais de 400 títulos que estão no mercado, e isso são provas de que outra pessoa de cultura elevadíssima o fez!

 

Agora entendeu que nós podemos comunicar-nos com quem está do outro lado? Entendeu também que não morreremos? Fomos criados para vivermos eternamente. Que maravilha! Se nós somos um pedacinho da obra de Deus e Ela é eterna, também o seremos, com certeza! Viveremos eternamente buscando melhores dias porque essa é a mensagem do Divino Pastor. Por isso é que devemos trabalhar em cima da obra de Jesus Cristo.

 

Dias melhores hão de vir não só no mundo material, mas principalmente no espiritual. Acordemos-nos! Fiquemos espertos e sigamos o Evangelho de Cristo, nosso Salvador, pois nele estão todas as seivas da vida.

ISSO É SAUDADE

quinta-feira, junho 19th, 2008

ISSO É SAUDADE

 

– Não passa avião aqui! Esse paraíso é meu!

 

– Como não, vejo-os até de madrugada?

Voam baixo, são grandes e barulhentos.

Vi-os numa noite enluarada, da varanda, de sua rede, deitado!

Eu morro de medo do ronco que eles fazem…

 

– Você está completamente enganado!

Aqui avião não passa, mas há estrelas sobre minha fortaleza!

Iluminam e me velam à noite inteira que até me acordo saudável!

Tenho muito amor por elas.

E gosto do firmamento estrelado.

 

Olhar o céu, à noite no sertão, é um convite pra compor uma canção!

Os pássaros daqui cantam, aninham-se e festejam minha paz!

Eu não vou sair daqui, prefiro morrer a me mudar de lugar!

 

– Tudo aqui está contra mim:

Até os gira-sóis nem me olham mais,

deram-me as costas. Que maldade!

 

O ar que sopra forte do cerrado,

que tem seu perfume, seu cheiro,

mudou-se para a outra quadra.

 

Aquela rosa, que antes eu regava,

reclama-me que sou desatento e descuidado;

a música que me afundava no sofá, essa sim, ainda está do meu lado:

Recorda-me muito da época da Jovem Guarda.

 

Um beija-flor trissa bem perto de mim.

Ele me reconheceu, lembrou-se, coitadinho!

É lilás e se alimenta apressado.

Parece muito faminto.

Suga todo o néctar das rosas,

não deixa nada pra mim.

 

Das mudas que semeou, a minha não germinou.

Será que morreu, ou enganado estou?

Plante-a num jarro pequenino, num canto de sua casa.

Adorne-o com sua imaginação, mas só vale se for de coração!

 A roseira é admirada e bela, como você, quando fica na janela.

 

Lembro-me de seus dois cães que nos quais não confiava.

Mas você por segurança no portão me esperava,

recebia-me  tão bem que os seus olhos brilhavam.

Oferecia os lábios com sorriso de criança

e tinha no paladar sabores de minha infância.

Era um momento de encanto

que ao cair sobre mim, dava-me sono e descanso.

 

Conte-me das hortaliças, das leiras de batata doce,

das pitangas do pomar que tinham a cor de seu rosto.

Diga-me que passarinho atormenta seu sossego,

voando em busca de ninho querendo seu endereço!

 

Saudade derrama lágrima que choro em demasia,

mas para não me entristecer

Canto logo uma cantiga.

 

O amor é lindo, mas às vezes é cruel!

A lembrança, não se acaba,

do gramado enfeitado com pedaços de papel.

 

 

 

O POMAR DE AÚ

sexta-feira, outubro 20th, 2006

O POMAR DE AÚ

 

Estrelas azuis, e verdes

Me chamam de temeroso,

Que brilham como cristais

Com luzes incandescentes

Que lembram de minha aurora.

 

Um estaleiro de olhinhos,

Acesos, pequenininhos

Que me olha à noite toda,

Quem o colocou pra mim?

 

Foste tu, Aú, para me fazer sorri?

Foste Tu, Senhor, para eu ser temente a Ti?

 

Não me assustei;

Acredito que foi Deus.

 Nunca pisei em tão lindo tapete!

 

Chão em pluma de granizo

Que se assemelha a estrelas

Um pingo d’água argentino

Brilha mais que imagino.

 Foi Deus… foi Deus… foi Deus…(Luiz Viana)

 

NAO SEI, NÃO SEI, NÃO SEI.

quarta-feira, setembro 13th, 2006

NÃO SEI, NÃO SEI, NÃO SEI.

 

 

Não me fale de ciúme!

Não me provou o motivo,

Que me forçou a saída 

Sem prumo e sem destino.

 

Impiedosa!

Pensa que a gente não chora!

Também tem um coração

O homem que é durão,

Sozinho não se acomoda.

 

Quem disse que homem é mal,

Certamente não conhece

Que é bobo, tolo;

Demonstra ser forte,

Mas é fraco, tão franco,

Que na despedida chora.

 

Cantei como o grilo na choça.

Você veio, beijou-me a fronte;.

Outro dia, olhou-me e corou.

Engasgou-se! Que horror!

Era o início do fim e tudo acabou.

 

Maldito encontro a que fui.

De sol a pino suei, suei…

De pé, na praia me alheei.

 

Agora faço o quê?

Não sei, não sei, juro que não sei!

Tenho que sair. Aonde vou não sei.

Vou-me embora, talvez.(Luiz Viana)

 

O VAZIO DO DIA SEGUINTE

sábado, setembro 2nd, 2006

O VAZIO DO DIA SEGUINTE

 

Não deixes que te profanem

Como a multidão proclama.

Sê somente o que tu és,

Não procures quem te engana.

 

Exalas cheiros do agreste 

No leito às nuvens te leva

Aquele que tanto amas.

 

A boca que de beijar fica louca,

É a mesma que de desejos borbulha

Dá prazer ao homem de teu gosto

Que incendeia costumes em desusos

 

Gemes sem saber que é indecente,

Que os hóspedes escutam os grunhidos,

Que ecoam lascivos sem rimar,

Que acordam o que dorme a despedida.

 

Tempestade de beijo à noite inteira,

Casais se olvidam e mudam tudo.

Amam diferente dos demais,

Conservadores apostam que é loucura.

 

Deglutes saliva o tempo inteiro,

Versejas ária de Cantão.

Por que me ameaças com um adeus?

És louca, por que, então?

 

Á tarde em pranto descontente,

Tens saudades de tudo que passou.

Mísero amor é coisa de pedinte

Pior é o vazio que ficou.

 

Ama só àquele que te encanta,

Que fala ao sol, à lua e às estrelas. 

Sexo rápido é coisa de pimpolho,

Que é promíscuo e somente tu não vês!(Luiz Viana)

  

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